Últimas Notícias > Notícias > A “Primavera dos Museus” agita a programação cultural de Porto Alegre nesta semana

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que “Brasil vive momento de transição perigoso”

Os governos de Fernando Henrique Cardoso (foto), Lula e Dilma aprovaram as alterações nas regras das aposentadorias, mas de forma fragmentada. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) criticou nesta quarta-feira (29) o que entende como uma abordagem “punitiva” do poder público diante da criminalidade no País. Sem citar diretamente o governo do presidente Jair Bolsonaro, FHC aproveitou um debate sobre a política de drogas em vigor para dizer que “o Brasil vive um momento de transição perigoso”.

“Infelizmente, no Brasil, está prevalecendo a ideia de que criminoso bom é criminoso morto”, declarou FHC, em encontro organizado na capital paulista pela fundação que leva seu nome, em conjunto com o Instituto Igarapé. De acordo com o ex-presidente tucano, falta ao País um foco maior no combate ao crime organizado em lugar de uma “perseguição” a usuários de drogas como a maconha. “A atitude punitiva que estamos tomando é contraproducente”, emendou.

FHC disse esperar que o STF (Supremo Tribunal Federal) se posicione de maneira mais “adequada” em relação a essa discussão. O tema deve entrar na pauta da Corte em junho, guiado pela expectativa de um posicionamento dos magistrados a favor da descriminalização da posse de maconha. “Dizer que quem defende a regulamentação defende o uso de drogas? Não, ninguém em sã consciência defende o uso de drogas”, acrescentou o ex-presidente.

O ex-presidente dividiu a mesa com nomes como os advogados Pierpaolo Bottini e Beto Vasconcelos, além do ex-diretor da Secretaria Nacional de Políticas de Drogas do Ministério da Justiça Leon Garcia. O debate foi mediado pela diretora executiva do Instituto Igarapé, Illona Szabó, que chegou a ser indicada pelo ministro Sérgio Moro (Justiça) para integrar o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, mas teve a nomeação revogada.

Transição

Fernando Henrique Cardoso disse que o sistema político criado em 1988 desapareceu na última eleição, pautada mais pela negação do que pela proposição; sociólogo e ex-presidente acredita que sucessor de Bolsonaro deverá ser um nome carismático. No princípio da reforma política brasileira está o verbo de um líder quase carismático, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dia depois das manifestações de 15 de maio.

FHC diz que esse é um caminho arriscado, mas saída provável para a superação da crise do sistema político do pós-1988, que para ele se desmilinguiu, e de um cenário de instituições abaladas pela fragmentação e pelo imediatismo das redes sociais. Quanto ao impasse criado pelos atritos entre Jair Bolsonaro e o Congresso, FHC diz que a democracia depende de paciência histórica e comedimento no uso da força política.

Deixe seu comentário: