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O ex-presidente Lula disse que é hora de colocar Fernando Haddad e Manuela na rua

Os petistas Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Emídio de Souza em Curitiba. (Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Ao sair da PF (Polícia Federal)  anunciando que o PT vai, a partir de agora, usar todos os instrumentos para colocar Fernando Haddad em debates e sabatinas no lugar de Lula, Gleisi Hoffmann verbalizou determinação passada pelo próprio ex-presidente ao longo de quase quatro horas de conversa. O petista atuou para conter ala que, para preservá-lo, queria esconder Haddad. Pragmático, disse que é hora de levar o bloco da campanha, com o ex-prefeito de SP e Manuela d’Ávila, às ruas. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

A manutenção da unidade dentro do PT se tornou um desafio constante desde a prisão de Lula, em abril. O ex-presidente tem atuado de dentro da carceragem para dirimir as principais divergências da sigla. A posição de Haddad como vice provisório na chapa do petista é uma dessas questões.

Na esperança de que o STF (Supremo Tribunal Federal) ainda dê uma decisão favorável a Lula e o tire da prisão, o PT desistiu de fazer ato em frente à corte na quarta (15), quando levará a militância a marchar para registrar a candidatura do petista no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Desvio de rota Pelo cronograma inicial, os militantes caminhariam pela Esplanada dos Ministérios e parariam no Supremo para um ato. Agora, a marcha seguirá direto para o prédio do TSE. Não querem provocar o STF.

Vaquinha

A arrecadação virtual para a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições 2018 superou os R$ 500 mil, mas o dinheiro não poderá ser usado por Fernando Haddad, candidato a vice, caso o ex-prefeito venha a ser alçado à cabeça da chapa.

Condenado na Lava-Jato a 12 anos e 1 mês por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula está preso desde abril em Curitiba. Mesmo assim, o PT pretende registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral até quarta-feira, último dia do prazo, com Haddad de vice. Como o petista deve ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, o ex-prefeito pode assumir a chapa.

Segundo o TSE, as “vaquinhas virtuais” só poderão ser usadas pelo próprio candidato. Se o PT registrar outra candidatura que não a de Lula até quarta, terá de devolver o dinheiro aos doadores, como rege resolução da Corte. É o que ocorreria também com a vaquinha virtual feita por Manuela d’Ávila (PCdoB), considerada “plano B” para ser vice na chapa petista.

Já se a candidatura de Lula for registrada e barrada posteriormente, o dinheiro que não for gasto até a data da decisão pelo indeferimento será remetido ao partido ao fim da campanha. “Se a campanha for encerrada e houver sobras, elas têm de ser destinadas ao partido político”, afirmou o ex-ministro do TSE Henrique Neves.

Procurado, o PT disse que trabalha de acordo com a lei e não comenta hipóteses.

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