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Facebook anuncia que vai limitar função “Live” para transmissões ao vivo

Medida faz parte de uma campanha das redes sociais contra a disseminação de conteúdo perigoso. (Foto: Reprodução)

Três meses após a transmissão ao vivo dos atentados na Nova Zelândia, o Facebook decidiu implementar medidas de controle e anunciou que, proibirá o uso do aplicativo Live, que permite a transmissão de vídeo em tempo real, a qualquer usuário que violar as regras da rede social sobre organizações ou indivíduos perigosos.

A medida será adotada a partir do momento em que for detectada uma publicação vinculada a um ato violento ou discurso de ódio. É uma das medidas das redes sociais contra a disseminação de conteúdo perigoso, campanha à qual o Twitter aderiu ao anunciar que vai redirecionar as pesquisas contra vacinas a links de autoridades sanitárias que explicam os danos dessa atitude para a saúde individual e pública.

Até agora, qualquer violação das regras do Facebook envolvia a eliminação da publicação específica e a conta só era bloqueada, às vezes temporariamente, se o usuário mantivesse a atitude ou, de imediato, em casos de propaganda terrorista ou pedofilia. Estas regras serão agora aplicadas ao Live e desde o primeiro momento.

A decisão ocorre depois que o vice-presidente da empresa, Guy Rosen, reconheceu que o sistema de inteligência artificial do Facebook para impedir a disseminação de imagens nocivas não foi capaz de identificar a transmissão ao vivo do atentado de Christchurch, na Nova Zelândia, no qual 50 pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas.

“Os sistemas de inteligência artificial são baseados em dados que os treinam, o que significa que são necessários milhares de exemplos desse conteúdo para treinar um sistema capaz de detectar certos tipos de texto, imagens ou vídeos. Tem funcionado muito bem com temas como nus,propaganda terrorista e também com imagens de violência, dos quais há um grande número de exemplos que podemos usar para treinar nossos sistemas.”

Com o ataque em Chistchurch não funcionou. O vídeo dos atentados (cerca de 1,2 milhão de cópias) foi removido minutos depois de sua realização, mas pôde ser visto 200 vezes durante a transmissão ao vivo sem que nenhum usuário o denunciasse naquele momento. O conteúdo completo, após o crime, foi reproduzido 4 mil vezes até ser enviado ao Facebook (29 minutos depois do início da matança e 12 minutos depois do final da transmissão ao vivo), um link em que era possível acessar uma gravação do ataque. Muitas capturas e cópias em 800 formatos diferentes continuaram sendo distribuídas por redes alternativas.

Rosen anunciou a nova medida de restrição do Live, acompanhada por um investimento de 7,5 milhões de dólares (cerca de 30 milhões de reais) em três universidades para melhorar a tecnologia de análise de imagens e vídeos. Para evitar essa situação, as universidades de Maryland, Cornell e Berkeley farão pesquisas sobre sistemas de detecção de imagens, vídeos ou sons manipulados intencionalmente.

Twitter

A campanha das redes sociais contra a desinformação e disseminação de boatos e informações prejudiciais também prossegue no Twitter, que adotou uma ferramenta que redireciona para “fontes confiáveis de saúde pública” qualquer pesquisa relacionada a vacinas.

A ferramenta começou a ser aplicada em vários idiomas nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, América do Sul, Coreia do Sul, Japão, Indonésia e Cingapura.

A medida já era empregada em buscas relacionadas a suicídio e danos autoinfligidos e busca coibir as pesquisas no buscador de links sobre comentários, anúncios ou páginas contrárias às vacinas. As sugestões vão orientar para informações das autoridades de saúde pública para divulgar informações verdadeiras.

O UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) iniciou a campanha #VaccinesWork (#VacinasFuncionam) para conscientizar pelas redes sociais sobre a importância de proteger a saúde das crianças. A organização insiste em que campanhas de vacinação contra o sarampo, pneumonia, cólera e difteria salvam três milhões de vidas anualmente. Cerca de 1,5 milhão de crianças morreram em 2017 de doenças para as quais existem vacinas e houve um “aumento perigoso dos surtos de sarampo em países de alta renda”, causado, entre outras coisas, pela “desinformação na mídia digital e redes sociais”.