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O Facebook disse que as postagens com violência explícita aumentaram no início de 2018

Segundo a empresa, a falha ocorreu dentro da função “Ver Como”, que permite aos usuários visualizarem como seus perfis são vistos por quem não é seu amigo na rede social. (Foto: Reprodução)

O número de postagens no Facebook mostrando violência aumentou nos primeiros três meses do ano em relação ao trimestre anterior, possivelmente impulsionado pela guerra na Síria, disse a rede social na terça-feira (15). O Facebook disse em relatório escrito que de cada 10 mil itens de conteúdo vistos no primeiro trimestre, estima-se que 22 a 27 peças contenham violência ilustrada, acima de uma estimativa de 16 a 19 no ano passado.

A empresa removeu ou colocou uma tela de alerta para a violência ilustrada na frente de 3,4 milhões de peças de conteúdo no primeiro trimestre, quase o triplo dos 1,2 milhão do trimestre anterior, de acordo com o relatório. O Facebook não sabe exatamente por que pessoas estão postando mais violência, mas acredita que a continuação dos combates na Síria pode ter sido uma das razões, disse Alex Schultz, vice-presidente de análise de dados da rede social. “Sempre que uma guerra começa, há um grande aumento na violência”, disse Schultz a repórteres na sede do Facebook.

Maior empresa de mídia social do mundo, o Facebook nunca divulgou dados detalhados sobre os tipos de postagens que são tiradas do ar por violação de regras. “Esses tipos de métricas podem ajudar nossas equipes a entender o que realmente está acontecendo com mais de 2 bilhões de pessoas”, disse ele. A empresa tem uma política de remover conteúdo que exalta o sofrimento dos outros. Em geral, deixa a violência ilustrada com uma tela de aviso caso tenha sido postada com outra finalidade.

Vazamento de dados

O Facebook abriu investigação contra mais um aplicativo de teste de personalidade por conta de vazamento de dados. Chamado de myPersonality, o app tem ligação com a Universidade de Cambridge e teria disponibilizado as informações de cerca de três milhões de usuários para download por quatro anos, o que viola os termos de uso da rede social. Podem ter sido acessadas curtidas, atualizações de status, fotos de perfil e outras informações pessoais. Segundo o portal News Scientist, que revelou o caso, o app funcionou entre 2007 e 2012 e foi removido pelo Facebook em abril de 2018.

O aplicativo usa o mesmo método do app This Is Your Digital Life, ligado ao escândalo Cambridge Analytica. No entanto, a coleta de dados do myPersonality teria sido restrita a quem respondeu ao questionário, sem extrapolar aos perfis de amigos. Por isso, a tendência é que o impacto do vazamento seja menor.

Os dados obtidos foram disponibilizados para download pelos colaboradores da Universidade de Cambridge. De acordo com o News Scientist, as informações vieram de mais de 280 pessoas vinculadas a diversas instituições de pesquisa, incluise grupos ligados a empresas de tecnologia como Google, Microsoft, Yahoo e o próprio Facebook.

Em resposta ao TechCrunch, a plataforma negou que os próprios funcionários tenham adquirido os dados e, com isso, desrespeitado as regras da empresa. No entanto, o pesquisador da Universidade David Stillwell diz que a companhia de Mark Zuckerberg estava ciente do aplicativo e que, inclusive, teria participado de reuniões sobre o projeto. “É, portanto, um pouco estranho que o Facebook, de repente, diga agora não saber da existência da pesquisa”, disse o pesquisador ao Business Insider.

Apesar do número definido de estudantes e pesquisadores que colaboraram com o estudo, não se sabe se as informações podem ter sido compartilhadas com terceiros. Também não está claro se apenas estudiosos teriam acesso aos kits de dados. De acordo com o site do projeto, o banco de dados contém 6 milhões de resultados de teste de 4 milhões de perfis, mas apenas 3,1 milhões de conjuntos de dados foram disponibilizados para baixar, e um número menor ainda dispõe de todas as métricas.

 

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