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O Facebook reage a críticas e lança ferramentas para reduzir a ocorrência de notícias falsas na rede social

Com novos mecanismos, companhia espera reduzir ocorrência de notícias falsas na rede social. (Foto: Reprodução)

O internauta vê uma notícia compartilhada por um de seus amigos no Facebook. Acha o título interessante e pensa em repassá-la para outras pessoas, mas desconfia do site que publicou o material. Em vez de clicar no link, ou procurar no Google mais informações sobre a página, ele toca em um pequeno botão localizado no canto direito da postagem onde está escrito “About this article” (Sobre este artigo). Lá, encontra informações como o histórico e outras matérias publicadas pela página. Como desconfiava, percebe que a fonte não é segura. Ele desiste de compartilhar e ainda dá uma bronca no amigo que compartilhou o conteúdo.

O cenário hipotético pode se tornar frequente em algum momento quando o Facebook liberar, a seus 2 bilhões de usuários, uma função que vem testando desde o fim do ano passado. Atualmente disponível nos EUA, o botão faz parte de uma série de ferramentas que o Facebook vem desenvolvendo nos últimos meses em resposta às críticas sobre a proliferação de notícias falsas na rede, principalmente durante a eleição para a presidência dos Estados Unidos, em 2016. “Apesar de tudo que fazemos, sabemos que ainda vai ter coisas que ferem as políticas”, disse Monica Rosina, gerente de políticas públicas do Facebook, durante encontro com jornalistas, ontem, em São Paulo.

De acordo com Cláudia Gurfinkel, líder de parceiras de mídia do Facebook na América Latina, a ação está dividida em três partes: remover, reduzir e informar. O Facebook montou uma equipe de 15 mil pessoas – que vai chegar a 20 mil no fim do ano – para trabalhar na análise e remoção de conteúdo que fere as políticas da rede social. Em uma outra frente, os sistemas da companhia trabalham para detectar a criação de contas falsas e excluí-las antes que comecem a funcionar. No primeiro trimestre, foi bloqueada a criação de 600 milhões de perfis, segundo a companhia. É a primeira vez que o número foi publicado. “Garantir que as pessoas usam perfis reais é uma das formas de combater as postagens falsas”, disse a executiva.

Para reduzir, a companhia criou mecanismos que diminuem o alcance das postagens em até 80% e impedem que elas sejam promovidas por meio de campanhas publicitárias pagas. Isso ocorre por meio de parcerias com agências de checagem de notícias, que analisam se as notícias sãos falsas ou verdadeiras. O processo é iniciado quando um usuário clica na opção “Dar Feedback sobre esta publicação” e a classifica como sendo notícia falsa. No Brasil, as agências Lupa, Aos Fatos e AFP fazem parte da iniciativa. De acordo com Monica, o processo é conduzido pelas agências, sem ingerência da rede.

No quesito “informar”, a companhia tem investido em ações educacionais para mostrar aos usuários o que são notícias falsas e como combatê-las. Além de ferramentas como o “About this article”, a companhia tem feito campanhas informativas no site e fora dele. Em Nova York, uma série de anúncios tem chamado atenção no metrô. No Brasil, anúncios já foram feitos em algumas publicações impressas. De acordo com Monica, outras campanhas serão feitas até a eleição. No mês passado, o Facebook e o Google assinaram um termo de compromisso com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para ajudar no combate à proliferação de notícias falsas durante o período. “Estamos em diálogo constante com o TSE e os cartórios eleitorais”, disse Monica.

Perguntada sobre o papel que o Facebook pode ter na formação do voto dos brasileiros, Monica disse não acreditar que a rede social será tão decisiva quanto se imagina. “É, sem dúvida, um espaço de debate, mas estamos no Brasil, onde metade da população não tem acesso à internet e a TV é muito forte”, afirmou.

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