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O futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, anunciou como seu “número dois” um embaixador ligado ao Mercosul

O embaixador Otávio Brandelli será o secretário-geral do Itamaraty. (Foto: Agência Senado)

O futuro ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo​, escolheu o embaixador Otávio Brandelli para ser o seu secretário-geral, cargo considerado o “número dois” na hierarquia do órgão. Brandelli já atua na pasta como diretor do Departamento de Mercosul. Ele foi anunciado por Araújo em mensagem nas redes sociais.

“Eu tenho a alegria de anunciar o embaixador Otávio Brandelli, diplomata de competência e dedicação amplamente reconhecidas, para futuro secretário-geral das Relações Exteriores”, postou o diplomata. “Ele será o meu braço-direito para implementar a política externa do presidente eleito Jair Bolsonaro.”

O Mercosul já foi alvo de críticas por parte de Bolsonaro e de seu futuro “superministro” da Economia, Paulo Guedes. Em recente entrevista à imprensa, o “guru” de Bolsonaro declarou que o bloco regional não será uma prioridade para o governo federal que assumirá no dia 1º de janeiro.

Brandelli já foi presidente do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e é diplomata de carreira do Itamaraty. Ele se reuniu na tarde de quarta-feira com Araújo no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), espécie de  “quartel-general” da equipe de transição em Brasília.

Como diretor do departamento do Mercosul do Itamaraty, o futuro secretário-geral defendeu a necessidade de um grupo fortalecido de países, enquanto Jair Bolsonaro e alguns de seus principais aliados pregam uma aproximação com Estados Unidos e Israel, por exemplo.

Na visão de alguns aliados do presidente eleito, as relações comerciais do Brasil com os vizinhos da América do Sul trazem um “viés ideológico de esquerda”, o que seria uma herança das gestões dos então presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016).

Polêmica

No final do mês passado, as declarações de Paulo Guedes em uma entrevista no Rio de Janeiro geraram surpresa e desconforto entre membros do Mercosul. Isso porque o futuro ministro da Economia disse que a Argentina e o Mercosul não estão entre os focos principais da futura gestão brasileira. “A prioridade será comercializar com todo o mundo”, frisou na ocasião.

O economista afirmou, ainda, que o bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai é muito restritivo e que o Brasil ficou “prisioneiro de alianças ideológicas”, o que seria ruim para a economia nacional: “O Mercosul só negocia com quem tem inclinações bolivarianas, mas isso não ocorrerá mais a partir do governo de Jair Bolsonaro”.

Quando uma correspondente do jornal argentino “Clarín” perguntou se o Mercosul seria então “desmontado”, Guedes rebateu: “A sua pergunta está mal feita. Você deve questionar é se vamos comercializar somente com a Argentina. A resposta é ‘não’. Somente com Venezuela, Bolívia e Argentina? Também ‘não’. Vamos negociar com o mundo”.

As afirmações do “guru” econômico de Bolsonaro tiveram forte impacto principalmente na Argentina, segundo maior país do Mercosul depois do Brasil. Para o diretor do mestrado em Relações Comerciais Internacionais da Untef (Universidade Tres de Febrero), Félix Peña, essa postura é motivo de preocupação.

“Que um dos países do bloco diga que não dará prioridade ao Mercosul é algo tão sério que deve ser dito pelo máximo escalão do País e das Relações Exteriores”, frisou Peña. “O Brasil está formalmente e legalmente comprometido com o Mercosul, pelos acordos assinados.”

Já o ex-embaixador da argentino no Brasil, Juan Pablo Lohlé, disse que as palavras de Guedes geraram “preocupação e surpresa, servindo de alerta para as autoridades de Buenos Aires.

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