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O futuro ministro Onyx Lorenzoni abandonou uma entrevista após se irritar com pergunta sobre assessor de filho de Bolsonaro

Parlamentar pediu trégua à imprensa, "em nome do Brasil". (Foto: Divulgação)

Irritado com uma pergunta que considerou “irrelevante”, o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, abandonou uma entrevista coletiva nessa sexta-feira. A reação ocorreu quando um repórter mencionou o relatório indicando movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta do motorista do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

De acordo com o documento, elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) parte dos recursos, R$ 24 mil, foram repassados à primeira dama Michelle Bolsonaro, mulher do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Lorenzoni foi questionado sobre o tema durante entrevista coletiva logo após um almoço com empresários em São Paulo. “Setores estão tentando há um ano destruir a reputação do senhor Jair Messias Bolsonaro. Alguém tem dúvida do trabalho que foi feito, lembra lá da funcionária que tava de férias?”, rebateu Lorenzoni.

“Mas é uma pergunta sobre o relatório do Coaf”, retrucou um jornalista. “Peraí! Vamos enfrentar essa questão. O presidente Bolsonaro é uma pessoa que tem o compromisso claro com a verdade. Então fiquem tranquilos, que seguramente isso vai ser sempre enfrentado com a verdade”, prosseguiu o deputado federal reeleito pelo DEM-RS e futuro ministro.

O repórter lembrou, então, do arquivamento de uma investigação contra ele, sobre a suspeita de caixa 2 pago pela Odebrecht e disse que “este é um governo decente” e que é o momento de “separar o joio do trigo”. Ainda conforme Onyx, “não dá para querer achar que esse governo é igual o governo do PT. Não é, nunca vai ser, e os homens e mulheres que estão aqui são do bem”.

Nesse momento, outro profissional de imprensa questionou o que essa declaração teria a ver com o relatório do Coaf. “Tem a ver o seguinte: eu estou respondendo ao senhor que o presidente é um homem que não teme a verdade, assim como eu não temo a verdade. E nós vamos trabalhar com a verdade. Até que a verdade se esclareça, nós vamos ver. Agora, não é só uma notificação, a pergunta é: onde é que estava o Coaf no mensalão? Onde estava o Coaf no petrolão?”, reagiu o aliado de Bolsonaro.

Onyx foi então interrompido por outro jornalista, que disse: “A pergunta é qual é a origem do dinheiro movimentado pelo segurança…

“Amigo, eu sou um investigador? Não!”, respondeu o futuro chefe da Casa Civil. “Como é que eu vou… Qual é o dinheiro que foi para sua conta? Quanto o senhor recebeu este mês?”.

“Eu? Isso não tem a menor relevância”, argumentou o repórter, que ouviu a resposta final do entrevistado: “Também não tem a menor relevância a sua pergunta”, finalizou Lorenzoni, que em seguida abandonou a coletiva.

Entenda

Na mesma entrevista, o futuro ministro voltou a negar envolvimento em casos de corrupção e disse não ter medo de ser “canetado” pelo presidente eleito Jair Bolsonaro em razão de denúncias de caixa 2 citado por executivos da JBS, que o envolvem.

“Eu gosto tanto da caneta Bic dele, que subscrevo a declaração dele”, ironizou o futuro chefe da Casa Civil, que disse estar “tranquilo” em relação à abertura de investigação sobre o episódio no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal). “Eu já me resolvi com Deus, o que é importante para mim”, declarou o político.

Na quarta-feira, ao ser questionado a respeito da investigação sobre Onyx, o presidente eleito disse que poderá “usar sua caneta Bic” caso haja comprovação ou denúncia robusta de irregularidade contra algum integrante de seu governo.

Mais cedo, durante o almoço com empresários, Lorenzoni havia pedido, “em nome do Brasil”, uma trégua à imprensa: “A vitória que recebemos na eleição, temos consciência, não significa uma folha em branco. Nós precisamos de oposição, é o contrapeso fundamental da vida democrática. Nosso equívocos, e vamos errar, somos humanos. Quando a gente erra, a gente corrige. O que não é adequado é haver um terceiro turno no Brasil, que não é nem constitucional, nem legal”.

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