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O futuro ministro Onyx Lorenzoni se reunirá com líderes de partidos para tentar formar uma base de apoio ao governo de Bolsonaro e impedir a volta de Renan Calheiros à presidência do Senado

Articulador político de Bolsonaro tem prevista uma série de visitas a caciques de centro-direita do Legislativo. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Após fazer as primeiras reuniões com bancadas de deputados federais na última semana, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) vai mirar o Senado. Nos próximos dias, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), tem prevista uma série de visitas aos líderes de partidos de centro-direita do Legislativo.

Ao mesmo tempo em que o grupo de transição buscará apoio político para aprovação da reforma da Previdência, integrantes do PSL articulam uma candidatura que evite o retorno de Renan Calheiros (MDB-AL) à presidência do Senado, função que desempenhou nos períodos de 2005 a 2007 e de 2013 a 2017.

Nesta segunda-feira, após a diplomação de Jair Bolsonaro como presidente da República (cargo que desempenhará a partir de 1º de janeiro), quatro senadores eleitos do PSL vão se reunir para discutir se a legenda entrará na disputa pelo cargo com Flávio Bolsonaro (RJ), ou se fechará apoio a outro nome anti-Calheiros.

O mais cotado para receber o apoio do grupo é o senador Davi Alcolumbre (DEM-AM), próximo de Onyx Lorenzoni. Além de serem do mesmo partido, Alcolumbre tem como assessora parlamentar Denise Verbeling, que se casou com Onyx recentemente.

Oficialmente, o governo insiste no discurso de que não vai interferir nas disputas no Congresso Nacional. Porém, em entrevista à imprensa na semana passada, Flávio Bolsonaro confirmou a disposição de lutar para impedir a vitória de Calheiros.

“Eu converso com todo mundo, mas apoiar o Renan Calheiros não tem a menor condição”, fez questão de ressaltar o senador eleito do PSL.

Ainda segundo ele, todas as candidaturas ventiladas até neste momento “têm condições de chegar a uma convergência para fazer uma frente real à força de Renan Calheiros”. Nesta semana, Flávio visitou o Senado pela primeira vez e disse que teve como missão mostrar que o governo do pai não será “um bicho de sete cabeças”.

Na entrevista à imprensa, Flávio citou, além de Alcolumbre, os nomes de Espiridião Amin (PP-SC), Alvaro Dias (Podemos-PR) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) como possíveis candidatos à presidência da Casa.

Integrantes do futuro governo não descartam o apoio a qualquer um deles. Durante a campanha, o então candidato presidencial Dias foi flagrado em um vídeo xingando Bolsonaro de “vagabundo” e “bandido”. No segundo turno, ele chegou a ensaiar uma aproximação com o então postulante ao Palácio do Planalto pelo PSL, mas foi rechaçado.

Jereissati foi outro que também não poupou críticas a Bolsonaro nos últimos meses. Mesmo assim, o líder tucano passou a ser visto como uma possibilidade no Senado pelo grupo ligado ao presidente eleito.

Insatisfações

Jair Bolsonaro e aliados estão dispostos a deixar no passado os ataques, caso algum dos ex-desafetos da campanha seja capaz de derrotar Calheiros, que representará uma oposição mais dura aos planos do governo de aprovar as reformas, a começar pela da Previdência.

“Não há nenhum nome específico para indicar à presidência do Senado, até porque não descartamos colocar um nome nosso. É evidente que nós queremos um novo nome alternativo ao Renan”, frisou o senador eleito Major Olímpio (PSL-SP).

Onyx pedirá que cada legenda reúna sua bancada para articular apoio ao governo de Bolsonaro. Antes, porém, ele terá como missão vencer a resistência da Casa ao futuro governo.

Nos bastidores, parlamentares relatam um incômodo com o presidente eleito e alegam que o Senado está “desprestigiado”. Não houve senadores escolhidos ministros, diferentemente da Câmara dos Deputados, de onde já saíram cinco futuros chefes de pastas da Esplanada. Outra reclamação é que o governo escolheu o deputado federal derrotado Leonardo Quintão (MDB) como articulador do governo na Casa.

Na Câmara, o grupo de Bolsonaro também se articula para influenciar a eleição da Mesa Diretora. Na briga entre integrantes do PSL em grupo do WhatsApp, revelada pela imprensa, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) admitiu ter recebido ordens do pai para conduzir articulações na Casa apenas nos bastidores, de modo a não irritar o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), que não tem apoio do grupo de Bolsonaro para se reeleger na função.

Após o desentendimento público, Jair Bolsonaro fará nesta terça-feira uma reunião com deputados federais e senadores eleitos do PSL. Ele vai pedir uma trégua nas desavenças e discutir o posicionamento da bancada do partido na Câmara e no Senado

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