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O general Mourão, candidato a vice do presidenciável Jair Bolsonaro, disse que agrega estabilidade à candidatura de seu colega de chapa

Filiado do PRTB, recentemente o general da reserva Hamilton Mourão foi escolhido nos últimos instantes como vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, ele disse que agregará discrição e estabilidade para a campanha do deputado federal, marcada por uma série de polêmicas.

O ex-militar prevê, porém, que a relação com o Congresso Nacional será difícil caso ele e o seu colega de urna sejam eleitos. Confira a seguir alguns dos principais pontos da “sabatina” feita pela publicação.

Acréscimo

O senhor foi escolhido de última hora e forma com Bolsonaro uma chapa puro sangue militar. Em que isso agrega à campanha?

“Desde o início eu fui uma opção para ele, por isso que eu me filiei a um partido político quando eu entrei para a reserva”, respondeu Mourão. “Ele tentou as outras opções que ele tinha e todo mundo sabe que não foram bem sucedidas. No último momento ele teve que me chamar.

Eu acho que eu agrego estabilidade para ele porque ele sabe que ele vai ter um companheiro de chapa que não vai procurar ter luz própria e que vai apoiá-lo incondicionalmente. Pode ser que eu traga voto de outros segmentos da ala mais conservadora da sociedade que veem na minha figura alguém capaz de agregar um conhecimento, um discernimento, experiência de vida”.

Negociação

Uma dificuldade de serem apenas dois partidos coligados é a negociação com o Congresso Nacional. Como isso será feito?

“Posso até ser ingênuo, mas eu vejo que nosso relacionamento com o Congresso Nacional tem que se dar em torno de ideias. Eu sei que o Bolsonaro tem cem, cento e poucos deputados que estão com ele, óbvio que não é uma massa de manobra capaz de assegurar uma maioria para ele, mas é um primeiro passo.

Até hoje, nenhum governo conseguiu fazer dessa forma, com ideias. Como sozinho o Bolsonaro espera mudar isso? Será difícil. Não tem forma de bolo isso aí, vai ter que manobrar, usando um termo militar. Quando você está esbarrando com uma enorme resistência você tem que manobrar. Sem ceder àqueles argumentos que lhe são caros e pelos quais foi eleito pela população, terá que ceder em outros, talvez”.

Gafes

O senhor promete discrição, mas ganhou holofote negativamente ao chamar índios de “indolentes” e dizer que “a malandragem do brasileiro veio dos africanos”…

“Eu acho que isso foi ultrapassado. É uma palestra que eu faço em vários lugares do país. Antes eu fazia e não era candidato a nada e ninguém dava bola. É uma palestra em que eu traço um perfil da nossa origem, não é para denegrir nem A, nem B e nem C. A questão é nós somos um cadinho, a junção, uma miscigenação de três culturas com as coisas boas e as coisas não tão boas assim. Esse episódio já rendeu o que tinha que ter rendido”.

Programas sociais

O senhor é a favor de programas como o Bolsa Família?

“Eu julgo que esse programa não pode ser eterno. À medida em que você vai gerando capacidade, vai colocando as pessoas em condições de se inserirem no mercado de trabalho eles têm que ser retirados desse programa para não ficar o resto da vida dependendo do estado. Mas hoje tem que continuar”.

Amadorismo

O senhor já se referiu à campanha do Bolsonaro como “amadora”…

“É amadora porque é uma campanha iniciante. Essa é a primeira campanha presidencial do Bolsonaro. Ele fez campanhas para deputado que são totalmente distintas de uma presidencial. Ele está querendo melhorar suas equipes, agora é uma campanha de recurso reduzido. Ela é uma campanha que tem que se restringir a esses recursos e ao crowdfunding que ele fez”.

Preconceitos

Bolsonaro vem sendo criticado por posições consideradas preconceituosas. Isso atrapalha na conquista de eleitor?

“Essa imagem foi colocada no Bolsonaro de forma errônea. Ele tem os pensamentos dele, a forma de ele pensar em relação a conservadorismo, família e coisas do gênero. Mas ele não é uma pessoa racista, em absoluto”.

Indisciplina

Jair Bolsonaro saiu das Forças Armadas mostrando indisciplina e insubordinação, pontos caros aos militares. Isso não pega mal?

“Bolsonaro teve na sua época, deu alguns problemas dentro da Força. Mas depois saiu, foi eleito vereador, deputado e ao longo desse período foi estabelecendo um relacionamento diferente. Os eventuais desacertos de uma fase da vida dele tumultuada foram superados.

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