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O governo da Coreia do Sul anunciou uma série de medidas para combater a instalação de câmeras escondidas em banheiros públicos no país

Equipamentos são usados para obter imagens íntimas de mulheres. (Foto: Reprodução)

Inspecionar uma cabine de banheiro público antes de usá-lo é uma das tantas medidas de precaução que vêm se tornando comuns entre mulheres na Coreia do Sul. Motivo: o temor de que momentos íntimos sejam secretamente filmados e depois compartilhados na internet, sem consentimento.

Depois que pelo menos 70 mil delas protestaram no último domingo (na manifestação já realizada na Coreia do Sul, de acordo com fontes locais), o governo do país asiático anunciou um novo plano para combater a prática.

A estratégia inclui a exigência de que centros de transporte público disponibilizem equipes dedicadas a procurar e remover equipamentos com essa finalidade. Essa nova deliberação abrange aeroportos, terminais de ônibus e estações de trem e metrô. E, é claro, os seus respectivos sanitários femininos.

“Os banheiros que passarem por inspeções rotineiras durante um intervalo de tempo significativo serão identificados como uma área limpa”, declarou um representante de Seul. Não aderir a essa medida pode gerar multas para os estabelecimentos.

Cartazes

O país também planeja colocar pôsteres em cerca de mil organizações de direitos das mulheres e crianças, além de 254 delegacias de polícia, a fim de divulgar o que dizem as leis a respeito desse tipo de comportamento.

Os cartazes afirmarão que é ilegal tanto filmar alguém sem o seu consentimento quanto assistir aos vídeos frequentemente postado em sites, redes sociais e aplicativos como o WhatsApp.

Um estudo encomendado pela Associação de Advogadas Coreanas e citado pela imprensa asiática descobriu que as câmeras espiãs são mais comuns em estações de metrô, mas também são encontradas em ônibus, táxis e banheiros de outros prédios públicos ou mesmo particulares.

Em junho, o jovem jornalista inglês Raphael Rashid, que mora em Seul, havia destacado, em post no Twitter, que as mulheres do país estavam começando a recorrer até mesmo a máscaras para esconder suas faces ao utilizaram banheiros públicos. E que as câmeras podem estar dentro do vaso sanitário ou em lugares menos óbvios, como o parafuso da dobradiça da porta.

Registros

Uma matéria da rede britânica BBC sobre o crescimento da pornografia de câmeras escondidas (conhecida no país como “molka”) apontou que 6.465 casos do tipo foram relatados no país somente no ano passado. Desse total, 5.437 pessoas foram detidas e apenas 119 acabaram na prisão.

“Os grandes protestos na Coreia do Sul [cerca de 22 mil mulheres também haviam marchado em junho] mostram o quanto as mulheres estão se sentindo ultrajadas, não só pela epidemia de câmeras indiscretas, mas também pelas falhas do poder público em prevenir casos do tipo e punir os responsáveis”, frisou uma reportagem da emissora.

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