Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Dias Toffoli diz em palestra que liberdade de expressão não pode alimentar desinformação

O governo do Brasil formalizou a saída da União das Nações Sul-Americanas, a Unasul, após receber a presidência do bloco

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O governo do Brasil formalizou nesta segunda-feira (15), a decisão de deixar a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) pouco depois de ser informado que a Bolívia havia passado para o País a presidência temporária do bloco.

“O governo brasileiro denunciou, no dia de hoje, o Tratado Constitutivo da Unasul, formalizando sua saída da organização”, informou o Ministério de Relações Exteriores em comunicado.

O governo Bolsonaro é crítico ao bloco, criado por Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela, com a intenção de fazer um contraponto aos Estados Unidos. Além do Brasil, Argentina, Colômbia, Chile e Equador já saíram do bloco.

Em abril de 2018, ainda no governo Temer, o País já havia suspendido sua participação no bloco.

Bolívia passou a presidência

A Bolívia havia informado também nesta segunda-feira (15) que passava ao Brasil a presidência pro tempore da Unasul, organização imersa em uma crise pela decisão de vários países de abandonar ou suspender sua participação neste bloco, criado há 10 anos.

O ministro boliviano das Relações Exteriores, Diego Pary, anunciou que “cumprimos o período anual que cabe à Bolívia e hoje (segunda-feira) comunicamos à República Federativa do Brasil para que possa dar início à presidência pro tempore”.

A Bolívia assumiu a presidência do grupo em 12 de abril de 2018 e um ano depois, de acordo com os regulamentos, entregou o posto ao país que acontece em ordem alfabética.

A União das Nações Sul-Americanas, nascida em 2008 em meio a governos de esquerda na região, está paralisada desde que, em 2017, não escolheu um sucessor para o colombiano Ernesto Samper. O grupo foi reduzido a Bolívia, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela.

A Argentina, ao comunicar sua saída na semana passada, disse que a Unasul está passando por uma “crise”, enquanto o Equador pediu a devolução da sede em Quito, para entregá-la a uma universidade indígena.

Pary disse que “o procedimento estabelecido pelo tratado constituinte (da Unasul) deve ser seguido se (algum país) quiser efetuar a retirada da agência”, mas “são os Estados-membros que vão decidir qual é o destino que esta organização deve ter”.

O chefe da diplomacia boliviana também disse que “a partir da data será a decisão do Brasil quem decide os ritmos, as atividades e quem o destino da Unasul”.

Mudança de cenário

A Unasul foi criada em 2008 por iniciativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ex-presidentes da Venezuela Hugo Chávez e da Argentina Néstor Kirchner, com a intenção de aumentar a integração regional. As mudanças dos governo dos países, no entanto, com um viés mais de direita, como Paraguai, Argentina, Brasil, Peru e, agora, Chile, mudaram a configuração do bloco e selaram a divisão na região.

Bloco sul-americano Prosul  

Em março deste ano, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou, ao lado de presidentes de países da região, entre eles o presidente Jair Bolsonaro, um novo bloco de nações sul-americanas denominado Prosul, para coordenar os países “sem burocracia excessiva”, em reação à forte rejeição ao grupo Unasul por sua postura na crise da Venezuela.

Ao final de uma reunião de cúpula em Santiago, os presidentes de Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai e Peru assinaram uma declaração manifestando seu compromisso com a integração regional.

Piñera disse que o Chile vai liderar a iniciativa em suas primeiras etapas e, posteriormente, o Paraguai vai presidir o bloco.

Deixe seu comentário: