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O governo recebeu 102 denúncias de violação contra idosos por dia

Idosos são mais vulneráveis. (Foto: Reprodução)

Um levantamento feito pelo MMFDH (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) divulgado na quarta-feira (12) mostrou que, no ano passado, o governo federal recebeu 37.454 denúncias de violações contra a pessoa idosa — o equivalente a 102 por dia. Trata-se de um aumento de 13% em relação a 2017, quando foram registrados 33.133 ocorrências. As informações são do jornal O Globo.

Segundo o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), seis de cada dez casos (60,7%) de violação têm origem na família— os suspeitos são filhos ou netos das vítimas. A maioria dos episódios ocorre contra mulheres.

Secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa do MMDFH, Antonio Costa afirma que a violação contra os idosos segue o padrão da vista contra as crianças e as mulheres — ocorre em casa, afastados dos olhos de pessoas que não são familiares e poderiam ter mais predisposição a denunciar os maus tratos.

“Há um conflito interno: a maioria dos violadores e das testemunhas são familiares. Em casos conjugais, por exemplo, as mulheres não denunciam porque têm medo de seus companheiros, ou de que os filhos percam o aporte financeiro dado pelo homem.”

Costa avalia que a escalada das violações contra as pessoas idosas está relacionada à nova configuração familiar. Os idosos, antes vistos como patriarcas, agora são relegados ao segundo plano. De fato, as denúncias mais comuns são de negligências (38%); violência psicológica, como humilhação e hostilização (26,5%), e abuso financeiro, quando os bens da vítima são retidos ou destruídos.

De acordo com Sandra Rabello, especialista em gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, as violações podem ser uma consequência da falta de conhecimento sobre como tratar os idosos.

“Os familiares têm dificuldade para lidar com o processo de envelhecimento, a manifestação de doenças degenerativas e, por exaustão com esse cuidado contínuo, podem cometer atos de violência ou negligência contra o idoso”, explica. “Com a crise econômica e o aumento do desemprego , vemos casos de apropriação das aposentadorias e pensões dos idosos.”

Saulo Buksman, coordenador da Câmara de Geriatria do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio), concorda que a renda de um idoso fragilizado e que vive com a família pode torná-lo mais exposto a violações.

“A aposentadoria do idoso é, de certa maneira, uma renda garantida. Muitas vezes os mais jovens estão desempregados e se aproveitam dos proventos que o idoso recebe. É o caso da violência financeira que, paralelamente, leva à negligência”, ressalta. “Se a vítima reclamar, muitas vezes, a agressão se torna física. Em muitas situações, o idoso também é abandonado em situação de carência alimentar, falta de cuidado com medicamentos e até vestuário.”

“Ponta do iceberg”

Buksman acredita que o crescimento de denúncias indica um aumento na conscientização, mas pondera que o problema é muito maior do que o revelado pelas estatísticas.

“Estamos vendo a pontinha do iceberg. As denúncias raramente são feitas pelo idoso que sofre a violência. Elas dependem de parentes, vizinhos ou amigos que percebem o que está acontecendo”, pondera. “Além disso, em grande parte dos casos, as pessoas não denunciam porque acham que nada será resolvido ou, ainda, por temerem represálias.”

Para o geriatra, as situações de risco, assim que fossem identificadas, deveriam ser monitoradas por um serviço social atuante. Afinal, com o confinamento das vítimas, não se sabe o que acontece na família, e muitas vezes o agressor é o responsável pelos cuidados do idoso. A situação é ainda mais delicada entre aqueles que já perderam sua autonomia, ou seja, sua capacidade de tomar resoluções por si mesmo.

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