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O Irã disse que não terá reunião com os Estados Unidos, apesar da proposta de Trump

Mohammad Javad Zarif foi direto. (Foto: Reprodução)

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, armou neste sábado (11) que não haverá encontro entre responsáveis iranianos e americanos fora da próxima Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), apesar das propostas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Não, não haverá qualquer reunião”, respondeu, taxativamente, o ministro a uma pergunta da agência Tasnim sobre um possível encontro com integrantes do governo americano, como o chefe da diplomacia, Mike Pompeo.

Zarif insistiu que as autoridades iranianas em várias ocasiões se posicionaram contra um diálogo nas atuais circunstâncias, ou seja, após a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear.

“Os americanos não são honestos. Além disso, a dependência que eles têm das sanções não possibilitará uma conversa”, enfatizou.

Ele negou que Omã esteja fazendo alguma mediação entre Irã e Estados Unidos e justificou os recentes contatos com esse país como parte da política externa da República Islâmica.

No último dia 6, Trump disse que está “aberto” a fechar um novo acordo “mais amplo” com o Irã. Na semana anterior, ele tinha dito que estaria disposto a se reunir com o presidente iraniano, Hassan Rohani, “sem condições prévias”.

Por conta destes comentários surgiram rumores sobre um possível encontro entre Trump e Rohani, ou algo em nível ministerial, durante a próxima Assembleia Geral da ONU, em setembro. Mas o próprio Rohani já descartou, no dia 6, um possível diálogo, armando que é a vez do Executivo em Washington “demonstrar que quer solucionar algo com as negociações”. Ele qualificou a postura americana de “contraditória”, já que, em sua opinião, “não se pode negociar ao mesmo tempo em que sanções são aplicadas”, em alusão às medidas que entraram em vigor no dia 7 deste mês.

No mesmo dia, Zarif tachou as propostas de diálogo de “espetáculo de propaganda”.

“Alguém acredita que o senhor Trump é sério para negociar?”, perguntou o chefe da diplomacia iraniana em uma coletiva de imprensa.

Em maio, Trump tirou os Estados Unidos do acordo nuclear que o Irã assinou em 2015 com seis potências internacionais e decidiu voltar a impor sanções econômicas ao país.

Sanções

As primeiras sanções dos Estados Unidos contra o Irã, após a saída do governo norte-americano do acordo nuclear iraniano, passaram a valer no dia 7 de agosto. O chamado Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) estabelecia limites para o enriquecimento de urânio no país.

As sanções atingem o comércio de ouro, metais preciosos, alumínio e aço, a venda de automóveis fabricados no Irã e transações financeiras relacionadas com o sistema ferroviário iraniano.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse que Washington faz uma “campanha de pressão diplomática e financeira para cortar fundos que o regime usa para enriquecer e apoiar a morte e a destruição”.

“Temos a obrigação de exercer pressão máxima sobre a capacidade do regime de gerar e movimentar dinheiro, e vamos fazê-lo”, afirmou em entrevista coletiva.

Firmado em 2015, o acordo foi fruto da negociação do Irã e cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia, além da Alemanha, o denominado P5 +1 ). No documento, havia um texto para o estoque de urânio enriquecido do Irã – material utilizado na produção de combustível para reatores, e armas nucleares – durante 15 anos, limitando também o número de centrífugas para enriquecer o material por um período de dez anos.

Na época, Teerã se comprometeu a fazer mudanças em um reator de água pesada, para que o equipamento não pudesse produzir plutônio – um substituto para o urânio, utilizado para fabricar bombas.

Para retirar os Estados Unidos do acordo, Trump afirmou que ele era “o pior possível” e que não garantia que o Irã tenha diminuído a produção de urânio, ou que não esteja produzindo armas nucleares.

Houve reações do Reino Unido, da França, China e Rússia, além da Alemanha, que assinaram os termos de compromisso, lamentando a saída dos Estados Unidos. A Organização das Nações Unidas também rejeitou a decisão.

O anúncio da retomada das sanções veio poucos dias depois de Trump ter afirmado que estaria disposto a negociar com o Irã para estabelecer o diálogo e melhorar as relações.

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