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Mundo O mercado imobiliário em alta faz Lisboa ser chamada de nova Miami

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Uma casa na capital portuguesa ficou, em média, 7,6% mais caro. (Foto: Reprodução)

Lisboa já está sendo chamada de nova Miami, graças ao mercado imobiliário em alta. O fluxo crescente de estrangeiros em Portugal, seja para passear ou ficar de vez, já faz sentir seu impacto. Assim como o aumento do número de visitantes fez subir o preço do pastel de nata, o novo contingente de residentes está elevando o valor do metro quadrado no país.

Comprar uma casa na terrinha ficou, em média, 7,6% mais caro no último ano. Os dados, divulgados pelo INE (Instituto Nacional de Estatísticas) português, são do último quadrimestre de 2017.

No entanto, assim como o custo para comer no país é baixo mesmo com os aumentos, o preço dos imóveis em Portugal ainda é mais barato do que o praticado em muitos bairros de São Paulo.

Segundo o INE, o preço médio do metro quadrado chegou a € 932, o equivalente a R$ 4.103. Em São Paulo, pede-se R$ 8.734, de acordo com o último levantamento da Fipe, de abril deste ano.

Lisboa segue no topo. Maior e mais procurada, a capital teve alta de 18% no metro quadrado em um ano: R$ 10,7 mil (€ 2.438). Equipara-se ao de empreendimentos da região central de São Paulo, em Santa Cecília, por exemplo. No entanto, o metro quadrado de imóveis novos em bairros como Vila Nova Conceição (zona sul da capital) custa R$ 17 mil.

Em Cascais, a 30 quilômetros de Lisboa, o metro quadrado custa € 1.992 (R$ 8.769). A cidade de praia é um dos locais com mais brasileiros. Na sequência, aparecem Lagos e Oeiras, na região do Algarve, valorizada pelas praias. Porto, segunda maior cidade do país, custa menos: € 1.307 (R$ 5.754) o metro quadrado.

“Há muito brasileiro a comprar casa em Portugal, muitos para fugir de um futuro incerto. Eles vêm do próprio Brasil e também dos Estados Unidos”, diz Raul Neves, 43, corretor de imóveis na região de Lisboa há quase três anos.

Neves recentemente fechou negócio para uma chef de cozinha e para um médico, ambos de São Paulo.

Profissionais liberais, pequenos empreendedores e jovens estudantes estão entre os brasileiros que decidiram investir no país, além de aposentados, que ganham isenção de impostos por dez anos ao transferirem seus rendimentos para Portugal.

“Vendi tudo o que eu tinha e vim. Eu não queria mais esse tipo de vida que a gente leva no Brasil, onde importa mais o ter do que o ser. São Paulo é uma competição de quem tem mais rótulos e qualidade de vida zero. Fora que você sai de casa e não sabe se volta vivo”, diz Adriana Azzi de Moraes, 54, que trocou um apartamento no Paraíso (zona sul) por um na beira do rio Tejo, em outubro do ano passado.

“Não é tudo lindo. Há dificuldades. As opções de empregos mais especializado não são muitas. Deixa de ter status. Abre mão da empregada. Mas a qualidade de vida e a segurança nem se comparam”, afirma Adriana, que está retomando sua atuação no mercado financeiro.

Ricos e famosos que conseguem a ARI (Autorização de Residência para Investimento) também ajudam a turbinar as vendas e, consequentemente, os preços.

Apelidado de visto gold, ele é concedido a quem investe um milhão de euros (R$ 4,4 milhões), gera dez empregos ou compra uma residência de € 500 mil (R$ 2,2 milhões).

A cantora Madonna ganhou as páginas dos jornais ao mudar para a capital portuguesa. Entre os brasileiros, a atriz Luana Piovani e executivos de alto escalão podem ser encontrados facilmente pelas ruas do Chiado, bairro tradicional do centro histórico de Lisboa.

O cenário atual já rendeu a Lisboa o apelido de “nova Miami”. Segurança e melhores serviços públicos também integram as justificativas para a mudança de endereço dos integrantes desse grupo, que evitam entrevistas.

Alguns ficam na ponte área Brasil-Portugal, como Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que comprou um apartamento em Príncipe Real, outra área nobre lisboeta, no ano passado.

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