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O Ministério do Turismo pretende criar em vários locais do País áreas especiais de interesse turístico, com desconto em impostos e licenciamento ambiental simplificado

A defesa de Marcelo Álvaro Antônio (foto) afirma que, no inquérito da PF, "não há um depoimento ou prova sequer que demonstre qualquer ilícito imputável ao ministro". (Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados)

O governo federal prepara um pacote de medidas para tentar destravar investimentos no setor turístico. Batizado de A Hora do Turismo, o plano prevê incentivos fiscais para que redes hoteleiras, restaurantes e empresas do setor possam se instalar em determinadas regiões do País.

A modelagem do pacote de estímulo foi apresentada ao presidente Jair Bolsonaro pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. O presidente deu autorização para que os estudos sejam aprofundados. Ainda faltam ajustes, mas a ideia, afirmou o ministro, é editar uma medida provisória nas próximas semanas.

O plano estabelece a figura das “áreas especiais de interesse turístico”, nas quais empresas do setor estariam habilitadas a receber benefícios tributários. Segundo o ministro, a União contribuiria com descontos de até 50% no IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) e no Imposto de Importação para produtos sem similares no Brasil.

Mas, para que uma “área especial” seja criada, Estados e municípios também terão de abrir mão de parte da sua arrecadação. Conforme a minuta apresentada a Bolsonaro, na “área especial” as empresas receberão descontos de 50% no ICMS, que é um imposto estadual, e no ISS, tributo arrecadado pelas prefeituras.

Haverá ainda outra vantagem para as empresas que venham a se instalar nessas áreas: o licenciamento ambiental simplificado, com redução de etapas e de tempo de análise, e a permissão para que ele seja realizado, inclusive, por procedimento eletrônico.

Segundo o ministro, a definição das áreas será feita em conjunto com os Estados e os municípios que decidirem aderir. Marcelo Álvaro Antônio disse que serão critérios rigorosos, mas ainda a serem definidos. Em princípio, qualquer região poderá se candidatar, mas o governo levará em consideração aspectos como a proximidade com aeroportos, acesso a estradas duplicadas e atrativos naturais para conceder o benefício.

Algumas regiões devem encontrar outras resistências para se transformarem em áreas especiais. É o caso de Angra dos Reis, balneário no Rio de Janeiro já mencionado por Bolsonaro diversas vezes como de potencial turístico pouco explorado. Lá, seriam necessários ajustes na legislação ambiental, afirmou o ministro.

Para formular o plano, o Ministério do Turismo inspirou-se no modelo aplicado pelos mexicanos em Cancún, onde foi aproveitada a infraestrutura aeroportuária da região e concedidos incentivos tributários para empresas se instalarem.

O pacote vai de encontro à meta declarada pela equipe econômica de reduzir desonerações fiscais. Além disso, pode esbarrar na dificuldade de Estados e municípios de abrir mão de receitas, diante da crise econômica que se abate sobre boa parte deles.