Domingo, 15 de Dezembro de 2019

Porto Alegre
Porto Alegre
32°
Mostly Cloudy

Brasil O Ministério Público denunciou o ex-senador Romero Jucá por propina de 1 milhão de reais em esquema da Transpetro

Pagamentos ilícitos para o ex-senador Romero Jucá em 2010 foram de pelo menos R$ 1 milhão, de acordo a denúncia. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O MPF (Ministério Público Federal) denunciou o ex-senador Romero Jucá (MDB) e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, por envolvimento em esquema de corrupção. A informação foi divulgada pelo MPF nesta terça-feira (4).

Pagamentos ilícitos para Romero Jucá, em 2010, foram de pelo menos R$ 1 milhão, de acordo com o MPF. Em nota, a defesa do ex-senador cita “absoluta falta de cuidado técnico por parte do MP” na denúncia.

Segundo a denúncia, os atos de corrupção que geraram os pagamentos ilícitos ao ex-senador ocorreram em quatro contratos e sete aditivos celebrados entre a Galvão Engenharia e a Transpetro.

“Com o aprofundamento das investigações, desvelou-se a existência de um gigantesco esquema criminoso voltado para a prática de crimes contra a Petrobras”, afirmaram os procuradores.

Conforme a denúncia, os diversos envolvidos no esquema se especializaram em quatro núcleos de atuação, sendo que cada um dava suporte à atuação dos demais. Os núcleos são: político, econômico, administrativo e financeiro.

Outras ações

Em março do ano passado, Romero Jucá se tornou réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em outra ação penal. De acordo com as investigações, ele pediu uma doação de R$ 150 mil à Odebrecht para a campanha eleitoral do filho Rodrigo em 2014, então candidato a vice-governador de Roraima.

Ainda no ano passado, em dezembro, o ministro Gilmar Mendes determinou o arquivamento do inquérito que investigava Romero Jucá desde 2010 por suspeita de falsidade ideológica, desvio de contribuições previdenciárias e crimes contra a ordem tributária.

Conforme a PGR (Procuradoria-Geral da República (PGR), ao longo dos oito anos de investigação, não houve provas mínimas contra o então senador que justificasse a apresentação de denúncia.

Jucá também é investigado em outros procedimentos no âmbito da Lava-Jato e seus desdobramentos.

Padrinhos políticos

Os procuradores do MPF afirmam que Sérgio Machado – indicado e mantido no cargo por Romero Jucá e integrantes do MDB – tinha a função de arrecadar propinas para os padrinhos políticos. Além disso, ex-presidente da Transpetro garantia a continuidade dos contratos e a emissão de futuros convites para licitações às empreiteiras, conforme o MPF.

A Galvão Engenharia, de acordo com o MPF, realizava o pagamento de propinas de 5% do valor de todos os contratos da Transpetro a integrantes do MDB que faziam parte do núcleo que sustentava Sérgio Machado como presidente da empresa, subsidiária da Petrobras.

Segundo a denúncia, a Galvão Engenharia efetuava o pagamento de propina com o objetivo de continuar recebendo convites para participar das licitações da estatal e também por causa dos contatos e aditivos que já mantinha com a Transpetro.

R$ 1 milhão

Os procuradores dizem na denúncia que o pagamento de propina efetuado pela Galvão Engenharia era disfarçado por meio de doação eleitoral oficial.

A empreiteira fez, em junho de 2010, o repasse para Romero Jucá e para o Diretório Estadual do MDB em Roraima, de acordo com o MPF. Dessa maneira, a propina abasteceu a campanha de Romero Jucá ao Senado, ainda conforme os procuradores.

As investigações comprovaram também que a Galvão Engenharia não tinha qualquer interesse em Roraima que justificasse a doação oficial, a não ser o direcionamento de propinas para Romero Jucá.

Para os procuradores, o que importava era o direcionamento de propina a Romero Jucá.

Outro lado

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, que defende Romero Jucá, disse, em nota, que houve falta de cuidado técnico por parte do MPF na denúncia.

Voltar Todas de Brasil

Compartilhe esta notícia:

Nem os juros baixos estimulam a tomada de crédito por empresas
Bolsonaro quer elevar de cinco para dez anos a validade da carteira de motorista e passar de 20 para 40 pontos o limite para perder o documento
Deixe seu comentário
Pode te interessar