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O Ministério Público Federal quer saber a origem dos 29 milhões de reais da fiança do herdeiro da construtora OAS

Prática ocorreu até o grupo empresarial se tornar alvo da Operação Lava-Jato, em 2014. (Foto: Divulgação)

O Ministério Público Federal quer saber de onde veio o dinheiro que pagou a fiança de R$ 28,9 milhões que permitiu que César Mata Pires Filho, herdeiro da empreiteira OAS, saísse da prisão.

Mata Pires Filho se entregou à Polícia Federal na madrugada de domingo para a segunda-feira (26) na Operação Sem Fundo, fase da Lava-Jato que investiga fraudes e corrupção na construção da Torre Pituba, sede da Petrobras na Bahia.

O empreendimento foi feito com dinheiro da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, e realizado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht.

Delações de ex-funcionários do setor de propina da OAS forneceram informações aos investigadores sobre como aconteceram os pagamentos de suborno a agentes públicos, a pessoas ligadas ao PT e a dirigentes da Petros.

Três dos delatores da OAS afirmam que o herdeiro da companhia participou de reuniões e deu autorização para pagamentos de propina.

O depósito dos R$ 28,9 milhões da fiança foi feito na última terça (4). A Procuradoria pediu informações à defesa do empreiteiro porque as contas de Mata Pires Filho foram bloqueadas pela Justiça e não apresentavam saldo suficiente para o pagamento.

O Ministerio Público Federal pediu que César Mata Pires Filho seja “intimado a esclarecer a origem dos valores depositados a título de fiança, carreando aos autos a documentação comprobatória respectiva”.

“Ao tempo em que manifesta ciência do depósito de R$ 28.917.695,00, efetuado pelo investigado César de Araújo Mata Pires Filho no evento 307, e diante do extrato BACENJUD juntado no evento 302, BACENJUD1, que demonstra terem sido bloqueados, no dia 29/11/2018, nas contas bancárias do referido investigado o saldo de apenas R$ 359.975,15.

O advogado Aloisio Lacerda Medeiros, que defende César Mata Pires Filho, diz que as informações serão prestadas ao Ministério Público Federal.

Mesma prisão

No auge das operações da OAS, quando a empreiteira despontava como uma das mais promissoras do mercado brasileiro ao lado de gigantes como Odebrecht, um dos herdeiros do grupo, César Mata Pires Filho, acompanhava com admiração a maneira como o então presidente da empresa Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, conduzia os negócios. Influente e com trânsito na alta cúpula da política, ele via em Léo o futuro que queria seguir. Filho do sócio majoritário e fundador do grupo — de quem também herdou o nome, César Mata Pires, morto em 2017 em decorrência de um ataque cardíaco — Cesinha, como é chamado nos círculos mais íntimos, ocupava a vice-presidência do grupo até chegar sua hora.

A deflagração da operação Lava-Jato em 2014, que colocou Léo atrás das grades e levou a OAS a entrar em recuperação judicial, enterrou os planos do empresário. No domingo (25), Cesinha acabou detido por nove dias na mesma carceragem onde seu antigo mestre está preso. Só saiu depois de pagar uma fiança de R$ 29 milhões que está sendo questionada pelo Ministério Público.

Assim que se entregou na PF, o empreiteiro foi informado de que estava proibido de ter qualquer contato com Léo e foi levado para a ala da esquerda da custódia. O ex-presidente da OAS fica na direita, onde estão os delatores e candidatos a fazerem acordo. Para evitar a aproximação entre mestre e pupilo, os horários de banho de sol foram alterados e os grupos iam ao pátio em períodos distintos. As visitas dos advogados no parlatório também foram coordenadas para que eles não se cruzassem. Às pessoas próximas, Léo lamentou a prisão do “menino que viu crescer”.

A relação entre Léo e Cesinha vai além da admiração. Quando o então presidente da OAS foi preso e optou por tentar uma delação premiada, César Mata Pires, que na época estava vivo, apoiou o sócio e amigo. O combinado era simples: Mata Pires arcaria com as despesas da defesa e da família de Léo, que não ficaria desamparada, e em contrapartida o empreiteiro aliviaria a culpa que poderia recair sobre seus filhos, Cesinha e Antonio Carlos Mata Pires, ambos com cargos de comando na empresa.

O plano caiu por terra. Entre idas e vindas, o acordo de Léo não foi fechado. Em paralelo, um grupo de executivos que trabalharam na área de pagamentos de propina e Caixa dois da OAS fechou delação e colocou Cesinha como responsável pela aprovação dos pagamentos ilícitos. O herdeiro da OAS, que a partir de 2017 já tentava buscar seu lugar ao sol entre os delatores, também viu sua tentativa frustrada. Procuradores avaliaram a proposta de delação do executivo como “sem novidade” e com “contenção de danos” para o universo político. O sonho de Cesinha de circular na alta cúpula do poder nunca esteva tão distante.

 

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