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O Ministério Público vai investigar se os autores da chacina na escola em São Paulo participavam de fórum na internet

Fóruns na internet que protegem o anonimato de seus participantes têm sido usados para propagar discursos de ódio e podem colaborar para tragédias. (Foto: Divulgação)

Fóruns na internet que protegem o anonimato de seus participantes têm sido usados para propagar discursos de ódio e podem colaborar para tragédias como a da escola Raul Brasil, em Suzano, na última quarta-feira (13). O MP (Ministério Público) de São Paulo vai investigar se os dois autores da chacina participavam de um “chan”, como é conhecido esse tipo de fórum. No chan supostamente frequentado por Guilherme Monteiro e Luiz Henrique de Castro circula um manual com recomendações extras para driblar qualquer risco de rastreamento na internet.

Em geral, nessas plataformas de discussões predominam conteúdo de estímulo ao extremismo e ódio. No Brasil, segundo a Polícia Federal, o primeiro chan foi criado por Marcelo Valle Silveira Mello, brasiliense com longa ficha na polícia e que acabou sendo condenado no ano passado a 41 anos de prisão por crimes de associação criminosa, divulgação de imagens de pedofilia, racismo, coação e terrorismo. Na sentença que o condenou, há reproduções destas dicas de segurança extra para os integrantes.

Em um dos trechos, o administrador recomenda um tipo de rede virtual privada e mais segura. Também há orientação para que usuários mintam para as autoridades, caso flagrados. O MP vai apurar se uma organização criminosa na internet está por trás do massacre de Suzano. Os investigadores tentam confirmar se os jovens de fato fizeram postagens em redes do tipo chan e se foram incitados ao crime por outros usuários.

“A certeza [da participação nos fóruns] é nula, mas a evidência é forte. Alguns usuários postaram exatamente o que aconteceria em Suzano”, disse Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

No dia 7 de março, em uma mensagem no fórum inicialmente criado por Mello, um anônimo dá a entender que cometeria um atentado nos próximos dias. Após a chacina, integrantes de outro fórum do gênero comemoraram os ataques.

O lado escuro da rede

Os chans podem estar nas três camadas de navegação via internet: na web, acessível por meio de qualquer mecanismo de busca, como o Google; na chamada deep web, onde o acesso só é possível por meio de senha, como sites de conteúdo fechado; ou na dark web, acessível apenas com determinados navegadores e onde, em tese, o anonimato é preservado.

Especialistas relatam que não há dados sobre a quantidade de usuários que acessam chans no Brasil. Na origem deste tipo de fórum, não havia registros de crimes de ódio – chans já permitiram, por exemplo, que perseguidos políticos relatassem abusos.

“O conteúdo era muito contestador dos costumes e do mainstream cultural. Essas críticas ácidas acabavam transbordando o politicamente incorreto e passam para o discurso de ódio”, disse o especialista Francisco Brito Cruz.

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