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Ministro da Educação nega plano de cobrar mensalidade nas universidades federais

Weintraub durante apresentação do Compromisso Nacional pela Educação Básica. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

No último domingo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, reagiu a um rumor que circulou em blogs e em redes sociais nos últimos dias que dizia que universidades federais passariam a cobrar mensalidades dos alunos.

Segundo essas mensagens, o anúncio de um programa para implementar as cobranças aconteceria em reuniões na próxima quarta (17), para a qual foram convocados representantes de instituições de todo o País.

Em uma postagem no Twitter no domingo (14), porém, o ministro disse que as universidades federais continuarão públicas e que os estudantes não pagarão pela graduação, assim como é hoje. Em outras ocasiões, o ministro já defendeu cobrança para alguns cursos de pós-graduação.

Segundo informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico na última semana, o novo projeto seria chamado Future-se e teria como objetivo o “fortalecimento da autonomia financeira das universidades e dos institutos federais”, nas palavras do secretário de Educação Superior do MEC, Arnaldo Barbosa de Lima Júnior.

Confira as postagens:

“Temos apresentado ações para educação básica, novo FUNDEB, alfabetização, Enem eletrônico, etc. Dia 17 apresentaremos a reformulação das univ. federais, que continuarão públicas e os estudantes NÃO pagarão pela graduação/como hoje. Haverá mais liberdade para pesquisa e trabalho!”, diz um dos posts do ministro.

“Não há privatização alguma! Teremos um modelo moderno, que nos aproximará da Europa, Canadá, Israel, Austrália, EUA, etc. A adesão das universidades será voluntária, permitindo separar o joio do trigo…as que quiserem ficar no atual modelo, poderão ficar…”, continuou Weintraub.

“A graduação não será paga pelos alunos das federais. Manteremos a situação atual (pagadores de impostos), porém, a rápida deterioração das contas vista nos últimos anos será interrompida. Há avanços maiores e menos polêmicos que serão apresentados dia 17…não percam…”, escreveu o ministro.

Em maio deste ano, o ministro da Educação disse ser contra cobrança de mensalidade de alunos na graduação, mas defendeu que isso ocorra para a pós-graduação, como em alguns cursos de mestrado.

“Cobrar dos alunos de graduação eu sou contra, porque é uma discussão que vai ser muito acalorada e a gente vai gastar uma energia gigantesca para poucos alunos que são de famílias ricas, mas que as vezes é de família rica e tem pai desnaturado”, disse.

“Mas eu acho que se a gente focar na cobrança de pós-graduação, você não tem que discordar. Está lá o bonitão com o diploma de advogado querendo fazer o mestrado. E aí tem que pensar em pagar. O aluno de graduação, acho que não, esse a gente poderia postergar. Mas o de pós, esse tem condição de pagar.”

Segundo o ministro, no entanto, a cobrança não valeria para todos os cursos. “Não é para toda pós-graduação, mas para algumas que têm visão de mercado, a gente aí poderia cobrar e daria mais receita em relação ao custo, energia e retorno financeiro.”

A afirmação ocorreu durante audiência em comissão Câmara dos Deputados. O ministro já havia dito ser contra a cobrança de mensalidade na graduação, mas disse que alunos dessa etapa estariam em situação mais privilegiada em relação aos de outros níveis.

“Somos contra a cobrança de alunos na graduação. Não é nosso projeto. Mas a verdade é que esse aluno mesmo sendo pobre e humilde está numa situação melhor socialmente do que uma criança que não consegue entrar na escola ou em uma creche”, disse.

“Não adianta a gente achar que os recursos são infinitos. Nossos desejos são finitos”, disse. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.