Domingo, 15 de Dezembro de 2019

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Brasil O ministro do Supremo Gilmar Mendes disse se irritar mais com a imprensa do que com as reclamações das pessoas nas ruas

O ministro Gilmar Mendes abordou tópicos como a relação com a imprensa em recente entrevista. (Foto:Carlos Moura/SCO/STF)

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, em entrevista recente para o site Glamurama, afirmou se irritar mais com as críticas da imprensa do que com as reclamações das pessoas nas ruas. Confira alguns trechos da entrevista.

Mídia

“Acho que houve conúbio entre a Lava Jato e a mídia, a mídia os adotou. Tem uma disposição na lei que diz que o acordo homologado só pode ser divulgado depois da denúncia recebida, e o Janot vazava isso durante, colocou em várias cláusulas que o sujeito renunciava ao direito de não divulgação, só que não era um direito suscetível de renúncia. Tinham aí as famosas ‘listas do Janot’, a mídia cevou isso, e produziu esse monstrengo.” “Tenho muito mais irritação em relação à imprensa do que às pessoas das ruas, que às vezes não têm qualquer noção do que estão falando e são instrumentalizadas. Quando a [apresentadora] Leilane Neubarth faz campanha contra mim na GloboNews, eu lamento, é pessoa preparada, agora o Zé da esquina é vítima desse processo, é vítima da mídia massiva, que também estava à serviço de alguma coisa e que errou e tem dificuldade de fazer mea culpa.” “Sou convicto que tem de haver liberdade de imprensa, e nunca partiu de mim proibição de publicação. Mas se eu entender que sou ofendido, e não é sensibilidade exagerada, e se me chamar de corrupto [como, no seu entendimento, teria feito a atriz Monica Iozzi na manifestação que gerou processo movido por Mendes], tomo medida de processar. Processei o [jornalista, já morto] Paulo Henrique Amorim, outros jornalistas, mas não tenho projeto de enriquecer com isso, doo tudo que recebo.”

O papel do Supremo

“É colocar as coisas nos trilhos, ter um certo equilíbrio. Combate à corrupção sim, mas dentro da normalidade, não podemos combater crime cometendo crime, tenho repetido essa frase. Que conforto temos se um auditor fiscal que está na Lava Jato está envolvido com corrupção na própria operação? Ou o episódio do [ex-procurador Marcelo] Miller, que era um pouco o cérebro do processo, que americanizou todo o sistema, que instruía as pessoas a fazer gravações? Todas aquelas delações, as do Delcídio, do Sérgio Machado, do Joesley, foram conduzidas por ele. Sabe-se lá quando ele começou a jogar num campo e noutro. O tribunal estava sob um desafio, mas acho que as outras instituições também.”

Rodrigo Janot

“[A intenção assassina de Janot] só confirma o juízo negativo que eu fiz dele todo o tempo, que de fato foi a pior figura que a Procuradoria-Geral já mandou para o Supremo em todos os tempos. A pergunta que acho que temos de nos fazer é como descemos tanto, como se confiou uma função dessa importância a alguém que se apresenta como sujeito a incontinências das mais variadas ordens, que usa arma a torto e a direito, que vai bêbado ao encontro da presidente [Dilma Rousseff] quando esta o escolhe. Imagine o valor das denúncias por ele produzidas, das peças e tudo mais.”

O Garantista Fiel

“Acho que continuo no mesmo lugar. Tive momentos de maior ou menor protagonismo, as minhas posições são mais ou menos as mesmas. Sou um garantista convicto, tenho apontado problemas na Lava Jato, abusos que aconteceram nesses anos todos. Brinco que sou mau profeta, as coisas que eu falo acontecem. Em 2017, na discussão sobre a homologação do acordo entre Joesley Batista e o Ministério Público, alguns disseram que [o acordo] era eterno, insuscetível de revisão. Eu disse que era claro que seria revisto imediatamente, era evidente a falta de substância. Chegou-se a dizer: ‘Ah!, mas precisamos prestigiar o procurador-geral’, e eu disse: ‘Violando a lei?’. O Joesley dizia que o Congresso tinha 220 deputados que tinham recebido propina. Ele tinha trocado a expressão doação por propina porque tinha sido treinado para isso, e então, como chefe de organização, não poderia receber a indulgência plena. Janot apelava ao tribunal para que fosse compreensivo porque ele tinha negociado isso. Mas a que preço?”

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