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O ministro Gilmar Mendes pedirá que o Supremo siga de perto as investigações sobre o ex-procurador Marcello Miller

O ministro Gilmar Mendes. (Foto:Carlos Moura/SCO/STF)

O ministro Gilmar Mendes pedirá que o STF (Supremo Tribunal Federal) acompanhe de perto as investigações da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre o ex-procurador Marcello Miller. Ele quer que o órgão informe regularmente o tribunal sobre as investigações, segundo divulgou a colunista Mônica Bergamo do jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (16).

Lava-Jato

A Lava-Jato reagiu na quinta-feira (12), às acusações do ministro Gilmar Mendes, que no Plenário da Corte, quarta-feira (11), afirmou que “a corrupção chegou ao Ministério Público Federal”. Gilmar citou o ex-procurador Marcelo Miller, envolvido no caso JBS, e também Diogo Castor, que integra a força-tarefa da Lava-Jato no Paraná.

Em nota, a Lava-Jato do Ministério Público Federal se disse “surpreendida” e atribuiu a Gilmar “absoluta falta de seriedade”. “Lançou contra o procurador da República Diogo Castor de Mattos notícias antigas e falsas a respeito do comportamento deste na Operação Lava-Jato”, diz o texto. “A fala do ministro Gilmar Mendes desbordou o equilíbrio e responsabilidade exigidos pelo seu cargo”, afirmam os procuradores da Lava-Jato.

Eles alegam que o ministro faz “não só acusações genéricas e sem provas contra a atuação do Ministério Público Federal, mas especialmente imputações falsas contra o procurador da República Diogo Castor de Mattos com base em notícias antigas e em suposto “ouvir dizer” de desconhecidos advogados, mentiras já devidamente rechaçadas em nota pela força-tarefa Lava-Jato em Curitiba em 12 de maio de 2017”.

A nota esclarece o caso do procurador Diogo Castor. “A força-tarefa Lava-Jato do Ministério Público Federal em Curitiba informa que o procurador da República Diogo Castor de Mattos não atuou e não atua em nenhum dos casos ou processos envolvendo o empresário João Santana de Cerqueira Filho.” A força-tarefa da Operação Lava-Jato reagiu e disse que o ministro Gilmar Mendes “desborda o equilíbrio”.

João Santana foi marqueteiro do PT. Ele e a mulher Mônica Moura foram presos na Operação Acarajé, desdobramento da Lava-Jato. Os procuradores observam que o acordo de delação de João Santana “foi celebrado com a Procuradoria Geral da República em 8 de março de 2017, antes do escritório Delivar de Mattos e Castor Advogados (que tem como um dos sócios Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador) assumir a defesa do empresário em 17 de abril de 2017”.

O procurador atua na operação Lava-Jato desde abril de 2014. O escritório ingressou na representação de Santana em abril de 2017. “Acrescenta-se que Rodrigo Castor de Mattos, embora permaneça como sócio do escritório citado, deixou a defesa de Santana em maio do ano passado.” A Lava-Jato dá o troco e faz menção a um polêmico capítulo do ministro – sua proximidade com o empresário Jacob Barata Filho, o “Rei do Ônibus”, alvo da Lava-Jato no Rio.

“Como se pode ver, o procurador da República Diogo Castor de Mattos na força-tarefa Lava-Jato não atuou na investigação de João Santana por decisão própria, indo além das exigências éticas e legais da magistratura, comportamento esse que o próprio ministro Gilmar Mendes não observou quanto ao seu impedimento em medidas judiciais relativas ao investigado Jacob Barata Filho.”

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