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O modelo atual do Mundial, com 32 times, pode ter sua última edição

A tecnologia se consolida e avança cada vez mais nos jogos de futebol profissional. (Foto: Freepik)

De 1998 a 2018, fecha-se o ciclo do modelo do Mundial com 32 seleções e abre-se outro, com 48 equipes, aprovado para 2026, mas que pode ser antecipado em quatro anos. Na quarta-feira, os organizadores do evento devem decidir a questão, além de definir onde será organizado o próximo, se no Marrocos ou na América do Norte — a princípio em um consórcio entre Estados Unidos, México e Canadá.

O crescimento gradativo das novidades tecnológicas culminou com a implantação do árbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês) a partir de agora. É o ponto de partida em direção sem volta do tempo real no futebol e na busca por novas receitas.

“O VAR consagra o departamento de inovação da Fifa, que lançará a cada momento novos produtos, também fontes de receita”, projeta Maureen Flores, colunista de inovação do jornal O Globo.

Novas alterações são discutidas para o futuro. Com o aumento do número de seleções, serão 80 jogos, 16 a mais do que no modelo vigente.

A principal consequência é o desgaste maior dos atletas. Entre os desafios para a medicina esportiva, estão evitar e recuperar lesões com mais precisão e cada vez menos tempo.

“Com a evolução da medicina desportiva, da fisiologia do exercício, das novas metodologias de treinamento, controle de carga, isso seria possível”, disse ao Globo o médico Márcio Tannure.

O setor em crescimento é ilustrado pelo surgimento de novas empresas que aliam esporte e saúde.

“Hoje, há mais de três mil start-ups dedicadas ao esporte. E muito mais que três mil ligadas à saúde. Esporte é um seguimento da Saúde no que diz respeito à inovação”, explica Maureen Flores.

Análise de desempenho

Na seleção brasileira, a “tecnologia” começou com o observador Jairo dos Santos, que fazia análises sem ajuda da informática, em 1994.

“Na época, o que a gente tinha eram vídeos em VHS”, lembra o tetracampeão Jorginho, jogador em 1994 e auxiliar de Dunga em 2010, quando o tema ainda engatinhava.

Oito anos depois, a estrutura é gigantesca, com vários auxiliares a serviço das seleções. O crescimento da área teve início em 2006 e explodiu em 2010. Softwares como Footstats e Wyscout chegaram em versões mais simples, para mapear times e jogadores. Hoje, os atletas recebem análises em seus celulares. A partir deste ano, será permitido também o uso de equipamento eletrônico na área técnica para auxiliar o treinador e aumentar a segurança dos jogadores, hoje monitorados com GPS.

Transformações

No Mundial de 1970, os cartões facilitaram a vida do árbitro, e a disputa era para que a mímica não gerasse confusão; foi quando aconteceu a primeira substituição de um jogador. Em 1998, a terceira alteração foi autorizada. E neste ano uma quarta, na prorrogação, é permitida. A bola, com novo design a cada quatro anos, ganhou chip em 2014, para tirar a dúvida nos gols.

Para o futuro, diversos itens têm sido discutidos com objetivo de dar mais dinâmica às partidas. Entre eles, a cobrança de falta para si mesmo. A disciplina é outra prioridade, tal qual na aplicação de cartões para treinadores.

O desejo por dinamismo liga um último, mas importante alerta, o do calendário. A Liga dos Campeões da Europa é o campeonato que tem audiência crescente a cada temporada. De lá saem as tendências táticas e os modelos de jogos copiados no mundo todo.

A forma com que os fãs lidam com os avanços dentro e fora de campo promete transformar o evento nas próximas duas décadas. A fragmentação na distribuição, que até hoje se concentrava na televisão, e a maior interatividade do consumidor, que prioriza a busca por informação no celular, é a tendência em curso.

Outra é a consolidação do futebol europeu como “estrela” mundial, com menor prestígio das seleções nacionais, diante da excelência e audiência da Liga dos Campeões. Soma-se a isso a exigência por maior participação da população e transparência das federações, após sucessivos casos de corrupção na entidade máxima do futebol. Ainda não se pode ignorar dois movimentos em ascensão: o maior volumes de apostas e de jogos online ou no videogame, que concorrem com a bola rolando de verdade. As apostas podem movimentar R$ 10 bilhões por ano no Brasil, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas.

“A cada Mundial, o volume de apostas esportivas cresce. É possível que em 20 anos a gente tenha uma experiência mais participativa, com as pessoas apostando em tempo real”, projeta Pedro Trengrouse, mestre em gestão de marketing e direito no esporte e professor da Fundação Getulio Vargas do Rio.

Promoção dos jogos no videogame é outra realidade. Segundo Trengrouse, não é demais imaginar um Mundial ao mesmo tempo no campo e nos consoles, com jogadores tão famosos quanto os que estão em campo.

“Agora serão microjogos. O que está em jogo é o que acontece minuto a minuto. É uma realidade dentro daquela que já existia”, define o especialista.

 

 

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