Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019

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Brasil “O mundo deveria pagar pela preservação da Amazônia”, diz economista

O economista americano Jeffrey Sachs afirma que a agenda do desenvolvimento sustentável é uma agenda de crescimento e que não faltam recursos para descarbonizar o planeta. (Foto: Reprodução de TV)

O economista americano Jeffrey Sachs, diretor da Sustainable Development Solutions Network da ONU (Organização das Nações Unidas), acredita que os países ricos deveriam não apenas dar mais recursos para ajudar países com florestas a mantê-las, mas garantir receitas e evitar que as matas sejam derrubadas.

“No caso da Amazônia, o G-7 disse US$ 20 milhões”, lembrou, referindo-se ao encontro dos líderes dos países desenvolvidos em agosto, na França, quando propuseram uma ajuda emergencial contra as queimadas. “Deveriam dizer algo entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões ao ano”, defende. “O mundo depende da Amazônia e deveria contribuir para preservá-la.”

“As florestas são um ativo para o mundo”, disse Sachs. “A Amazônia é um ativo para o Brasil, em primeiro lugar, depois para a região e, finalmente, para o mundo, que devia ajudar a manter a floresta”. Ele exemplifica com o Fundo Amazônia, com grande contribuição da Noruega e apoio alemão, congelado na gestão de Jair Bolsonaro.

“O Brasil depende da Amazônia. Se a floresta for destruída, as plantações de café do Sudeste também o serão porque não haverá mais água. Todas as áreas com agricultura enfrentarão tempos duros. Cidades na América do Sul terão dificuldades”, continua. “A perversidade da dinâmica da mudança do clima é que, se continuar no ritmo em que está, irá destruir a Amazônia mesmo se o Brasil cuidar dela.”

Por isso mesmo, porque a Amazônia é vítima da mudança do clima, o professor da Universidade Columbia acredita que o Brasil deveria estar na linha de frente dos debates climáticos. “Deveria dizer ao resto do mundo: é melhor vocês controlarem a mudança do clima porque irão nos destruir”.

Sachs aconselha congressistas americanos em dúvida com a questão climática a irem às universidades e falarem com os cientistas. Sugere o mesmo, no Brasil. “Este não é um tema ideológico, não é uma ideia da direita ou da esquerda. É conhecimento científico”.

O economista questiona os modelos de desenvolvimento da região, que vê como ultrapassados. Defende a bioeconomia e alerta: “Qualquer um que acreditar que ‘tudo bem vender soja de área desmatada da Amazônia’ descobrirá logo que não haverá mercado para aquilo. Porque os consumidores em vários países vão querer saber de onde vem aquele produto, se se tem certeza de que é sustentável. Isso acontecerá logo”.

Sachs, um crítico do presidente Donald Trump, diz que a agenda do desenvolvimento sustentável é uma agenda de crescimento. “Precisamos de um programa global público de investimentos em energias limpas, veículos limpos, indústria e agricultura sustentáveis”.

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