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MARGS receberá mais de 5 milhões de reais para obras de reforma e manutenção

Erguido há mais de 100 anos, o prédio é um dos principais pontos de cultura da Capital. (Foto: Secom/RS)

O Margs (Museu de Arte do Rio Grande do Sul) foi contemplado com uma verba federal de R$ 5,6 milhões para obras de reforma e manutenção de seu prédio centenário, localizado junto à Praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre. Os beneficiamentos previstos incluem a reforma do terraço e melhorias no sistema de climatização.

Aguardada há anos, a liberação desses recursos foi publicada na edição dessa terça-feira do Diário Oficial da União. Por tratar-se de uma construção histórica, tombada em âmbitos estadual e federal, o imóvel necessita de ações que garantam a preservação do patrimônio e a adequação às normas museológicas.

A verba anunciada provém de repasse federal, por meio do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justiça. O valor garantirá a execução de projeto de restauro originado em 2013 e apresentado dois anos depois. “A confirmação do repasse é resultado de um esforço contínuo e permanente do Margs e da Secretaria da Cultura”, enalteceu o governo gaúcho.

Um dos principais espaços de exposições e outras atividades relacionadas à cultura em Porto Alegre, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul abriga um acervo de aproximadamente 5 mil itens. Nos próximos meses, será iniciado o processo licitatório por parte do Estado para a escolha da empresa que realizará o restauro.

Se tudo der certo, a previsão é de que as obras durem cerca de seis meses. O projeto ainda deverá passar por readequações e reavaliações, sendo que os prazos – tanto de licitação quanto de reforma – dependerão de uma estimativa que só poderá ser mais precisa no decorrer do processo.

Os trabalhos serão supervisionados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e pelo Iphae (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado).

Empolgação

Com a confirmação dos recursos, a secretária da Cultura, Beatriz Araujo, manifesta-se com entusiasmo: “A existência de um projeto já aprovado pelo Iphan também foi determinante. Por isso, estamos trabalhando muito para termos projetos atualizados de todas as instituições da Secretaria da Cultura”.

Desenvolvido por uma equipe de técnicos especializados em engenharia e arquitetura, o projeto de reforma prevê a troca de piso no terraço do prédio, juntamente a obras nos quatro torreões. Além de serem utilizados pelo Núcleo de Conservação e Restauro do museu e para a realização de oficinas, cursos e similares, os torreões abrigam parte da reserva técnica do acervo do museu, que chega a mais de 5 mil obras.

O projeto ainda prevê a substituição do sistema de climatização interno do museu, cujo funcionamento e capacidade de operação são vitais para garantir as condições técnicas de preservação das obras de arte sob guarda da instituição, bem como para receber obras de outros acervos e instituições.

História

O prédio do Margs foi erguido entre 1913 e 1916. O imponente edifício, de quase 5 mil metros quadrados, foi encomendado à firma do engenheiro Rodolfo Arhons, com projeto do arquiteto alemão Theo Wiederspahn. O tombamento foi determinado em 1981.

Já em 1984, a Subsecretaria de Cultura do Estado o reconheceu como de interesse público por seu valor histórico e arquitetônico. Passou, então, a integrar o patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, foi a vez do tombamento definitivo em nível estadual. O Margs funciona no local desde 1978. Entre o fim de 1996 e início de 1998, o prédio passou por um profundo trabalho de reforma, motivado pelo seu estado de deterioração.

A instituição tem como principal finalidade colecionar, catalogar, documentar, guardar, conservar, restaurar e exibir os seus acervos documental e artístico, a fim de desenvolver exposições e atividades que proporcionem aos públicos experiências enriquecedoras, além de gerar produção de conhecimento e difusão de conteúdos.

Além de integrar a estrutura da Secretaria da Cultura, o Margs se mantém graças a esforços da Aamargs (Associação dos Amigos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul), instituição sem fins lucrativos que tem como objetivo dar sustentabilidade aos trabalhos do museu.

O Margs tem um acervo de mais de 5 mil itens, que guarda obras datadas desde a primeira metade do século 19 até os dias atuais, abrangendo diferentes linguagens das artes visuais, como pintura, escultura, gravura, cerâmica, desenho, arte têxtil, fotografia, instalação, performance, arte digital e design, dentre outros.

(Marcello Campos)