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O Palácio do Planalto divulgou um vídeo em que exalta o golpe militar de 1964

Secretaria de Imprensa, no entanto, diz que o governo não produziu o material nem sabe quem produziu. (Foto: Reprodução)

O Palácio do Planalto divulgou neste domingo (31) um vídeo negando que um golpe de Estado instaurou a ditadura militar no Brasil, ato que completou neste dia 55 anos. A Secretaria de Imprensa da Presidência confirmou que ele foi enviado em um grupo de WhatsApp para distribuição de informações a jornalistas, mas não soube dizer quem enviou para o canal. Também diz que o governo não produziu o vídeo nem soube dizer quem produziu.

O vídeo também foi postado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, no Twitter.

No vídeo, um homem não identificado fala de uma época em que havia no Brasil “um tempo de medo e ameaças” provocadas pelo comunismo. E que “jornais, rádios, TVs e principalmente o povo na rua” apelaram ao Exército.

O vídeo termina com a imagem da bandeira nacional e a inscrição “31 março” e um locutor afirmando que “o Exército não quer palmas nem homenagens. O Exército apenas cumpriu o seu papel”.

Bolsonaro

O golpe de Estado que instaurou a ditadura militar no Brasil em 1964 completou 55 anos neste domingo. Após o ato, iniciou-se um regime de exceção que durou até 1985. Nesse período, não houve eleição direta para presidente. O Congresso Nacional chegou a ser fechado, mandatos foram cassados e houve censura à imprensa.

De acordo com a Comissão da Verdade, 434 pessoas foram mortas pelo regime ou desapareceram – somente 33 corpos foram localizados. Em 2014, a comissão entregou à então presidente Dilma Rousseff um documento no qual responsabilizou 377 pessoas pelas mortes e pelos desaparecimentos durante o período.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro determinou ao Ministério da Defesa a produção de um documento com referências ao golpe de 1964 e que foi lido nos quartéis. A intenção, segundo o presidente, foi “rememorar” o fato e identificar pontos corretos e errados para o “bem do Brasil no futuro”.

O texto afirma, sem mencionar “golpe militar”, que a ascensão dos militares ao poder se deu para interromper “a escalada em direção ao totalitarismo”.

O Instituto Vladimir Herzog e o Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) fizeram uma denúncia em caráter confidencial à Organização das Nações Unidas do que definiram como “tentativa de modificar a narrativa sobre o golpe de 1964”, que deu início à ditadura militar (1964-1985).

Na sexta-feira (29), o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou um pedido apresentado por parentes de vítimas da ditadura e pelo Instituto Vladimir Herzog para proibir comemorações sobre o golpe militar de 31 de março de 1964.

A Justiça Federal em Brasília chegou a proibir, seguindo um pedido da Defensoria Pública da União, que o golpe fosse celebrado pelas Forças Armadas. No entanto, outra decisão, também da Justiça Federal, liberou as comemorações.

Manifestações

Manifestações contra a ditadura ocorreram em várias cidades do Brasil neste domingo, como São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Florianópolis e Belém. Houve manifestações menores a favor dos militares em Belo Horizonte e Goiânia.

Também neste domingo, mais de 50 organizações divulgaram uma nota de repúdio às declarações de Bolsonaro de rememorar o golpe de 1964, assim como a “tentativa de relativização e revisão histórica proposta pelo presidente”.

“Que o dia 31 sirva para nos lembrar daquilo que não queremos repetir e para que possamos olhar para frente, imaginar e construir uma democracia que seja promotora de liberdades, mais plural e menos desigual”, afirmara a nota, assinada por entidades como o Instituto Sou da Paz e Transparência Brasil.