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O papel do Brasil na crise venezuelana será colocado à prova na visita de Bolsonaro a Donald Trump

Os Estados Unidos devem procurar maior liderança do Brasil na crise do país vizinho. (Foto: Reprodução)

Depois de anos desgastada pela falta de resultados concretos e instabilidade político-econômica do lado brasileiro, a relação entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil começa a se revitalizar. Neste domingo (17), o presidente Jair Bolsonaro chegou a Washington para sua primeira visita oficial nos Estados Unidos. Será, também, sua primeira reunião com o presidente DonaldTrump.

A visita de trabalho dá continuidade a uma reaproximação bilateral que começou no governo do presidente Temer e que se fortalece desde a eleição do Presidente Bolsonaro.

O encontro, em si, tem caráter simbólico. Do lado brasileiro, manda uma mensagem de priorização do Estados Unidos face a China e a Rússia. Menos BRICS, mais EUA.

Do lado americano, ter convidado o residente Bolsonaro à Blair House, a casa de hóspedes da Casa Branca, geralmente reservada para visitas de Estado, indica que o mandatário Brasileiro será recebido com pompa e circunstância, dando a devida importância a esse momento na relação bilateral.

No entanto, resultados concretos não virão desta vez. Fora o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, que será assinado durante a visita, não estão na pauta outros acordos de caráter vinculante.

O apoio tão esperado para entrar à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) parece improvável, já que algumas alas do governo americano ainda não estão convencidas de que o Brasil realmente quer liberalizar a economia.

Para além da relação bilateral, a Venezuela será o principal item na agenda do lado americano. Com uma crise humanitária do lado de casa, e com o apoio de quase todos os países da América do Sul, o Brasil estaria disposto a assumir um papel de liderança, ao lado da Colômbia, para resolver a crise?

Essa é a dúvida dos analistas em Washington. O tema é uma prioridade para o lado americano e pode afetar a credibilidade do Brasil desde a perspectiva americana e a relação bilateral a futuro.

Os resultados virão não da visita, e sim do trabalho de acompanhamento que farão os diplomatas de ambos países nos meses subsequentes.

Desde 2011, a relação bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos é coordenada através de diálogos ministeriais, similar à estrutura da relação dos Estados Unidos com a China e com a Índia.

As reuniões ministeriais, que buscam alcançar metas incrementais e eventualmente grandes resultados, perderam muito do seu vigor nos últimos anos. A visita oficial muda esse cenário, revitalizando esse diálogo a pedido dos dois presidentes.

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