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O ímpeto aventureiro de Bolsonaro tem exigido da sua equipe de segurança uma capacidade-extra de lidar com imprevistos

O presidente confidenciou a assessores o desejo de saltar de paraquedas. (Foto: Agência Brasil)

Com um perfil impulsivo e aventureiro, o presidente Jair Bolsonaro tem exigido de sua equipe de segurança uma capacidade-extra de lidar com imprevistos. Além da rotina de avaliar riscos externos e tomar medidas de proteção à vida do chefe do Executivo, o grupo tem se preparado para mudar os planos na mesma velocidade com que algumas decisões são tomadas.

Reservadamente, até os mais discretos admitem: os ímpetos de Bolsonaro dão trabalho. Nas últimas semanas, por exemplo, ele decidiu percorrer a pé o trajeto entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados. E dar uma volta de motocicleta. Parar na beira da estrada para almoçar com caminhoneiros. Pilotar um jet-ski.

Em recente viagem a Aragarças (GO), sem combinar previamente com a sua segurança, Bolsonaro determinou que o carro desse uma parada para que ele pudesse repetir uma cena vista diversas vezes durante a campanha eleitoral, antes da facada em Juiz de Fora (MG), em setembro: ele saiu do veículo e se apoiou no capô para acenar aos moradores.

Mais tarde, na mesma viagem, pilotou um jet-ski no rio Araguaia, em uma região na divisa entre Goiás e Mato Grosso. Sem trajes adequados, ministros e seguranças se viram compelidos a entrar na água vestidos. Fontes do Palácio garantem que nada disso estava no script. Aliás, essa viagem esteve prestes a ser cancelada.

Isso porque a equipe de segurança, que vai antes ao local para fazer vistoria, avaliara que não havia condições adequadas para a visita do presidente. Informado do relato, Bolsonaro teria assumido o risco e determinado que a agenda fosse mantida.

Oficialmente, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, minimiza o episódio e diz que o único risco apontado era a falta de estrutura para o evento no Dia Mundial do Meio Ambiente. Diante dos impulsos do chefe, ele parece se conformar:

“Sempre dá mais trabalho, mas a gente é pago para isso”, ironizou o ministro, durante o amistoso entre Brasil e Qatar, na última quarta-feira. Naquela noite, haveria uma outra surpresa: o presidente decidiu ir a um hospital em Brasília encontrar o jogador Neymar, que havia se lesionado na partida.

Nos bastidores, Bolsonaro tem confessado outra vontade: saltar de paraquedas, como em seus tempos de Exército, quando integrou uma brigada da modalidade). Assessores tentam convencê-lo a mudar de ideia, mas sabem que, cedo ou tarde, isso pode acontecer.

Estripulias

Em abril, o presidente já havia feito outra estripulia: hospedado no Hotel de Trânsito do Forte dos Andradas, no Guarujá, litoral de São Paulo, saiu de motocicleta. Um auxiliar do presidente conta que ele avisou à segurança na hora que “ia sair para comprar um lanche.” Na volta, com o capacete levantado e apoiado na testa, parou para falar com jornalistas e populares. Nada disso estava previsto.

Há dez dias, outro rompante: decidiu ir a pé até a Câmara dos Deputados, a fim de participar de uma homenagem ao humorista Carlos Alberto de Nóbrega, do SBT. Dessa vez, além da segurança e assessores, pegou de surpresa o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que chegou à Casa quando Bolsonaro já estava quase de saída. O parlamentar admitiu ter tido que “vestir o terno correndo.”

Em outro episódio, na volta de uma viagem a Goiânia, decidiu parar numa churrascaria na beira da estrada, em Anápolis, para almoçar com caminhoneiros. “A segurança vai querer a máxima restrição possível, enquanto a autoridade deseja mais liberdade de ação. Cabe a nós nos prepararmos para oferecer uma segurança eficiente mesmo nessas condições, que não seriam as ideais”, justificou um integrante do GSI.

A secretaria de Segurança e Coordenação Presidencial é chefiada pelo general de brigada Luiz Fernando Estorilho Baganha. A equipe é formada por oficiais das Forças Armadas, policiais federais, policias militares e bombeiros do Distrito Federal. A cada viagem, o grupo ganha reforço das forças de segurança nos estados. O número de agentes não é divulgado a cada agenda externa, mas há policiais à paisana e localizados em pontos estratégicos.

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