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Bolsonaro não tem condição de fazer campanha no primeiro turno e gravar depoimentos

Conclusão é de que não é o candidato do PSL que fala na gravação viral que foi divulgada na última semana. (Foto: Reprodução/Twitter)

Depois da segunda cirurgia a que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) foi submetido na última quarta-feira (12), as eleições no País passarão por uma situação inédita: hospitalizado em São Paulo, vítima de um atentado a faca, o líder das pesquisas de intenção de voto deverá ficar fora das ruas pelo menos no primeiro turno e ausente dos debates. Com dificuldades para falar, Bolsonaro não poderá, por ora, gravar vídeos para a TV e redes sociais.

A reviravolta na situação do candidato, que explorava na campanha imagens de recepções em aeroportos, obrigou o comando de sua candidatura a redefinir parte da estratégia política até a eleição. Embora apresente evolução clínica e nenhum sinal de infecção, Bolsonaro voltou para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), após um procedimento para desobstrução intestinal. Diante do quadro, familiares e aliados admitem que o candidato ficará impossibilitado de atuar diretamente na campanha.

Um dos filhos do candidato, Flávio Bolsonaro, em entrevista a uma rádio do Rio, fez um desabafo sobre a situação do pai, e disse que a orientação médica é a de que ele evite falar. “Ele não está conseguindo nem falar direito, então não pode ir para a internet para fazer transmissão ao vivo. A orientação médica é que nem fale, porque quando fala acumula gases e pode ocasionar mais dor ainda”, disse Flávio, acrescentando: “Ao que tudo indica, no primeiro turno não vai ter mais condições médicas de ir para a rua de novo. Praticamente impossível. A cirurgia de reconstituição do intestino dele vai acontecer daqui a dois meses ou mais, não tem como ir pra rua com a barriga aberta. É risco de infecção, é risco de arrebentar. É totalmente contraindicado”.

Para manter a candidatura em evidência, os integrantes da campanha vão se dividir para cumprir as agendas e reforçar, nas plataformas digitais, o discurso de que Bolsonaro terá condições de retomar as atividades em eventual segundo turno. Além disso, a campanha pretende utilizar vídeos gravados antes da hospitalização. De acordo com um interlocutor do PSL, existe material inédito para ser usado até as eleições.

Um dos principais aliados de Bolsonaro, o presidente do PSL de São Paulo, Major Olímpio, verbalizou as dificuldades da campanha e previu a redução do número de simpatizantes nas ruas: “Não temos essa capacidade de levar milhares de pessoas às ruas, como é uma característica e uma força do Jair Bolsonaro. Mas vamos levar a mensagem”.

Antes do atentado, as decisões da campanha do PSL eram muito concentradas em Bolsonaro. Agora, diante da internação, a campanha não só procura alternativas para manter o candidato em evidência, como sofre com divergências internas.

Na véspera da cirurgia, a decisão do PRTB de consultar o Tribunal Superior Eleitoral sobre a possibilidade de o vice na chapa, o general da reserva Antonio Mourão, substituir Bolsonaro em debates na TV irritou a cúpula do PSL. O presidente do partido, Gustavo Bebianno chegou a desautorizar o PRTB, alegando que não tinha legitimidade jurídica para fazer esse questionamento.

A campanha usou ontem o Twitter de Bolsonaro para falar a seus eleitores. “Muita coisa vem sendo falada na tentativa de nos dividir e consequentemente nos enfraquecer. Não caiam nessa! Desde o início sabíamos que a caminhada não seria fácil, por isso formamos um time sólido e preparado para a missão de mudar o Brasil! Não há divisão”.

Ainda em relação ao estado de saúde do candidato, o hospital informou que ele está recebendo analgésicos e não teve complicações nas últimas horas. “Em razão do procedimento cirúrgico, o ex-capitão do exército se mantém em jejum e recebe alimentação por via endovenosa”, informaram os médicos.

Especialistas em cirurgia no aparelho digestivo estimam que uma segunda operação, como a que Bolsonaro foi submetido, obriga o paciente a ficar no mínimo entre 10 a 15 dias no hospital, e a recuperação pode levar levar um mês. Uma das orientações da equipe médica que acompanha Bolsonaro é a redução do número de visitas. Segundo o cirurgião geral e oncológico Luiz Augusto Maltoni, o estado de saúde de Bolsonaro inspira cuidados: “Um paciente submetido a duas cirurgias no intestino, num intervalo de uma semana, é um paciente grave, mesmo estando com todos os parâmetros vitais estáveis. É um paciente que inspira cuidados, porque tem potencial de complicação”.

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