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O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Brasília foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Juliano Costa Couto nega acusações. (Foto: Divulgação)

O MPF (Ministério Público Federal) denunciou o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Distrito Federal, Juliano Costa Couto, pela participação em esquema de corrupção para o vazamento de informações do MPF em benefício do grupo J&F. Ele foi acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

“Houve um rateio do valor dos honorários pagos pela Eldorado Brasil Celulose ao escritório Willer Tomaz Advogados Associados, e curiosamente nenhum centavo coube ao próprio escritório ou ao seu titular, eis que 2/3 (dois terços) foram divididos entre André Gustavo Vieira da Silva e Juliano Costa Couto e o terço restante ao procurador da República Ângelo Goulart Villela”, apontou a denúncia. Com base em gravações de áudio e no depoimento de Francisco de Assis, o MPF afirma que o valor inicial do pagamento, no total de R$ 3,7 milhões, foi dividido entre os três (Juliano, André Gustavo e Ângelo).

Em defesa, Juliano Costa Couto disse que nunca foi contratado para atuar em nenhuma operação ou interesse do grupo J&F e que não cometeu nenhuma ilegalidade.

“Reafirmo que não sou nem nunca fui advogado do grupo JBS e/ou do J&F, nem de quaisquer de seus dirigentes. Nunca fui contratado para atuar em nenhuma das operações e/ou ações que envolvam os interesses do grupo. Sondado a oferecer serviços em campo do Direito distinto à minha atuação, limitei-me a indicar advogado de área criminal, prática comum no exercício da profissão. Não cometi, com isso, nenhuma ilegalidade. Confio plenamente no Judiciário, onde me defenderei, esclarecerei os fatos e buscarei a justiça, sem exageros nem ataques indevidos”, disse em nota.

Outros alvos

Também foram denunciados por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, embaraço a investigações e violação de sigilo funcional os executivos da J&F Joesley Batista e Francisco de Assis, o publicitário André Gustavo Vieira, o procurador Ângelo Goular Vilella e o advogado Willer Tomaz.

O documento foi apresentado no fim de abril ao Tribunal Regional Federal da 1ª região, com sede em Brasília, e a relatora é a desembargadora Mônica Sifuentes, que deverá submeter a acusação à Corte Especial do tribunal.

Segundo a denúncia, o valor pago pela J&F a título de propina foi de R$ 3,7 milhões, por meio de contrato fictício de advocacia, para que o procurador passasse informações da operação Greenfield, que investigou fraudes em fundos de pensão. Segundo o MP, o presidente da OAB-DF teria ficado com um terço desse valor para ajudar a corromper o procurador.

A defesa de Joesley Batista disse que enquanto o STF não se manifestar sobre a rescisão do acordo de colaboração dele com a Procuradoria-Geral da República, a denúncia não pode ser recebida. “Usar um fato denunciado pelo colaborador contra o próprio colaborador é um grave desrespeito à lei e as cláusulas do acordo de colaboração.”

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