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O procurador-geral da República interino começa a revogar nomeações feitas por Raquel Dodge

Alcides já assinou uma portaria para cancelar a indicação de novo diretor da Escola Superior do MP. (Foto: Leonardo Prado/PGR)

O procurador-geral da República interino, Alcides Martins, começou a revogar as nomeações feitas por sua antecessora Raquel Dodge nos últimos dias de sua gestão. As equipes de Alcides e de Augusto Aras, indicado para exercer o cargo de PGR pelo presidente Jair Bolsonaro, estão fazendo um pente-fino nas nomeações feitas por Dodge para desfazê-las.

Alcides já assinou uma portaria para revogar a nomeação do novo diretor-geral adjunto da Escola Superior do Ministério Público da União, o procurador do Trabalho Carlos Eduardo Carvalho Brisolla. Essa revogação deve ser publicada no Diário Oficial desta segunda-feira. Dodge havia publicado a nomeação de Brisolla no último dia 16, com prazo vigente até fevereiro do próximo ano – ou seja, para que ele exercesse o cargo durante o mandato do próximo PGR.

A portaria de revogação da nomeação de Brisolla é a primeira de uma série de revogações preparadas pela equipe de Alcides e que devem ser oficializadas nos próximos dias.

O outro nome que está na mira é o da procuradora Cristina Nascimento, nomeada por Dodge para atuar, por um ano, como auxiliar na presidência do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), cargo que será ocupada justamente por Aras. Ou seja: Dodge nomeou uma assessora de Aras para trabalhar com ele durante um ano. Essa nomeação provocou mal-estar na equipe do novo PGR.

Segundo cálculos das equipes de Aras e Alcides, cerca de 800 portarias assinadas por Raquel Dodge estão em análise, incluindo nomeações de procuradores das áreas de direitos dos cidadãos. No entanto, nem todas se referem a nomeações. A avaliação dos grupos é que as medidas da antecessora engessam a gestão dos futuros PGRs.

Dallagnol

Deltan Dallagnol, e uma mensagem dele aos colegas sobre Augusto Aras, nome escolhido por Jair Bolsonaro para a Procuradoria-Geral da República, deram sobrevida ao investigador de Curitiba no cargo. Antes da definição do presidente, Aras e Dallagnol estavam em campos opostos, com avaliações divergentes sobre a troca de comando na PGR e sobre os vazamentos das mensagens dos procuradores com o ex-juiz Sérgio Moro.

No caso da sucessão de Raquel Dodge, ex-chefe da PGR, Dallagnol e os demais integrantes da força-tarefa defenderam, mais de uma vez, a votação da lista tríplice feita pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) – que acabou desconsiderada por Bolsonaro ao escolher Aras. Em relação à Lava-Jato, Aras defendeu, de maneira privada, o afastamento de Dallagnol para não comprometer a investigação.

Os acenos de Dallagnol a Aras mudaram as impressões iniciais, mas isso não significa que o procurador de Curitiba permaneça no cargo por muito tempo. Além de um voto de confiança ao novo PGR a partir de mensagens internas, Dallagnol, em entrevista ao Correio, citou positivamente o escolhido por Bolsonaro. Teria inclusive ocorrido uma troca de telefonemas entre os dois como forma de reforçar a garantia das investigações de Curitiba.

“O novo PGR está se propondo a fazer um bom trabalho na Lava-Jato, designou ótimos colegas que já atuavam lá até recentemente, e têm condições para isso. Vamos cobrar isso dele, mas também precisamos fazer nossa parte, precisamos colaborar. É preciso ter uma atitude construtiva para que o Ministério Público alcance os melhores resultados em prol da sociedade”, disse Dallagnol.