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O que é o lado escuro da Lua e por que a China quis chegar lá

A China divulgou imagens da missão. (Foto: CNSA)

A China anunciou que chegou ao “lado escuro da Lua”. Mas o que é esse lado escuro e por que a China quis chegar lá? Confira.

Uma sonda chinesa pousou com sucesso no dia 3 de janeiro, segundo informou a mídia estatal chinesa. A sonda não tripulada Chang’e-4, uma espécie de “rover”, pousou na Bacia do Polo Sul-Aitken, como é conhecida uma enorme cratera que fica no lado oculto da Lua. A sonda carrega instrumentos consigo para analisar a geologia de uma região nunca explorada antes e conduzir experimentos biológicos.

As primeiras fotos da superfície foram enviadas pelo rover e compartilhadas pela mídia estatal. Sem comunicação direta possível, todas as fotos e informações tiveram que ser enviadas por meio de um outro satélite antes de chegarem à Terra.

Mas o que é o ‘lado escuro da Lua’?

O “lado escuro” da Lua não tem nada a ver com “falta de luz” – os dois lados da Lua experimentam o dia e a noite. Na verdade, a expressão se refere ao lado da Lua que nunca foi visto da Terra.

Por causa de um fenômeno chamado “rotação sincronizada” nós só conseguimos ver uma face da Lua. Isso quer dizer que o tempo de rotação da Lua é igual ao seu período orbital. Ou seja, o tempo em que a Lua gira em torno de seu próprio eixo é igual ao tempo que ela leva para girar ao redor da Terra. Então essa sincronia entre rotação e translação faz com que só possamos observar um lado da Lua.

O outro lado da Lua tem uma crosta mais grossa, com mais crateras. Também há menos “mares” – planícies basálticas escuras formadas pelo impacto de meteoritos na superfície lunar.

E por que a China quis chegar lá?

Houve diversas missões à Lua nos últimos anos, mas a grande maioria foi em sua órbita. A última missão a pousar no satélite foi a Apollo 17 em 1972.

Missões prévias à Lua pousaram na parte visível para a Terra, mas essa é a primeira vez que uma sonda pousou na parte inexplorada e “escura”.

Ye Quanzhi, astrônomo do Instituto de Tecnologia da Califórnia, disse à BBC que essa foi a primeira vez que a China “tentou algo que outras potências espaciais nunca tinham tentado antes”.

O Chang’e-4 foi lançado do Centro de Lançamentos de Satélites de Xichang no dia 7 de dezembro. A sonda chegou à órbita lunar no dia 12 de dezembro com foco em explorar um lugar chamado Von Kármán, uma cratera localizada na Bacia do Polo Sul-Aitken. Acredita-se que a cratera tenha sido formada por um impacto gigante.

“A estrutura gigante tem mais de 2,5 mil km de diâmetro e 13 km de profundidade, uma das crateras de maior impacto no sistema solar e a maior, mais profunda e mais velha bacia da Lua”, afirma Andrew Coates, professor de física no Laboratório de Ciências Espaciais de Mullard, em Surrey, no Reino Unido.

O evento que formou a bacia é tido como um fenômeno que deve ter sido tão poderoso que atingiu e penetrou a crosta da Lua até a zona chamada de manto. Pesquisadores pretendem usar seus instrumentos nas pedras expostas nessa área.

A equipe também espera estudar partes de rocha derretida que pode ter preenchido a bacia, permitindo com que eles identifiquem variações em sua composição.

Um terceiro objetivo é estudar o chamado “regolito” desse “novo” lado da lua – rochas quebradas e poeira que ficam na superfície lunar – que nos ajudará a entender a formação da Lua.

O Chang’e-4 está carregando duas câmeras, um experimento alemão com radiação chamado LND e um espetrômetro que vai fazer observações astronômicas de baixas frequências.

Cientistas acreditam que o “lado escuro” pode ser um lugar excelente para praticar astronomia porque está protegido de ruídos da Terra. O espectrômetro vai mirar nessa ideia.

A sonda carrega um contêiner de 3 kg com sementes de batatas e Arabidopsis (planta da mesma família da mostarda e da couve) – além de ovos de bicho-da-seda para experimentos biológicos. O experimento da “mini biosfera lunar” foi criado por 28 universidades chinesas.

Outro equipamentos/experimentos incluem: uma câmera panorâmica; um radar para espreitar a parte embaixo da superfície lunar; um espectrômetro de imagem para identificar minerais; um experimento para examinar a interação do vento solar (um fluxo de partículas energizadas do Sol) com a superfície lunar.

A missão faz parte de um grande programa chinês de exploração lunar. A primeira e segunda missões Chang’e foram projetadas para reunir dados da órbita lunar, enquanto a terceira e quarta foram construída para operações na superfície.

Chang’e-5 e 6, atualmente em fase de desenvolvimento e previstas para 2024, colherão amostras de rochas e terra lunares para serem analisados em laboratórios na Terra.

Sem visão da Terra, não há maneira de estabelecer ligação de rádio direta. Então o rover deve se comunicar com a Terra usando um satélite chamado Queqiao – ou Magpie Bridge – lançado da China em maio do ano passado.

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