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O Reino Unido e a União Europeia indicam que não haverá acordo para o brexit

A chanceler alemã, Angela Merkel, durante discurso. (Foto: Divulgação)

As declarações emitidas por Reino Unido e União Europeia nesta terça-feira (8) trazem uma notícia boa e outra ruim. A boa é que parece haver consenso. A ruim é que as duas partes concordam que não haverá acordo sobre o brexit. Uma fonte do governo britânico afirmou que a chanceler alemã, Angela Merkel, advertiu o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, de que um pacto para a saída do Reino Unido do bloco europeu é “extremamente improvável”, a menos que Londres aceite manter a Irlanda do Norte em uma união alfandegária com a União Europeia.

Para Londres, no entanto, a exigência faz com que um acordo seja “essencialmente impossível”, indicou a fonte, destacando que Boris afirmou
a Merkel ter apresentado uma proposta razoável. O governo alemão não divulgou até o momento sua versão da conversa. Em público, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, acusou Boris de brincar com o futuro da Europa e do Reino Unido, com sua tentativa de atribuir a culpa aos europeus por um eventual fracasso das negociações do brexit.

“Boris Johnson, o que está em jogo não é ganhar uma disputa estúpida de culpa. O que está em jogo é o futuro da Europa e do Reino Unido, assim como a segurança e o interesse de nossos cidadãos”, publicou Tusk em uma rede social.

O governo britânico rebateu e disse que a UE não tem mostrado comprometimento com as negociações.

Boris dá sinais cada vez mais claros de que desistiu de um acordo. O premiê considera que as negociações com a União Europeia vão fracassar e
que ele terá que “fazer todo tipo de coisa” para impedir outro adiamento do brexit, de acordo com uma fonte do governo citada pela revista The
Spectator. Caso o acordo morra nos próximos dias, a tratativa não será “revivida”, disse a fonte próxima a Boris.

O calendário do brexit terá datas-chave em breve. Em 17 e 18 de outubro, haverá uma reunião de cúpula da UE, que poderá ser a última com a
participação do Reino Unido. A expectativa é que a decisão sobre um acordo seja tomada até lá. Caso não haja acerto até 19 de outubro, Boris será obrigado a pedir um adiamento.  A exigência foi aprovada pelo Parlamento britânico em setembro.

A saída sem acordo poderá gerar um caos no Reino Unido, pois não se sabe como ficariam as regras para a circulação de pessoas e mercadorias.
A ex-primeira-ministra Theresa May fechou um acordo de saída em 2018, mas ele foi rejeitado seguidas vezes pelo Parlamento britânico, mesmo
após algumas adaptações. Boris repete constantemente que a saída ocorrerá mesmo sem acordo em 31 de outubro – e que não pedirá um terceiro adiamento. Isso alimenta especulações de que ele procura uma brecha na lei que permita a partida abrupta.

“Acataremos a lei e sairemos da UE em 31 de outubro. A forma legal para isso é assunto do governo”, enfatizou o porta-voz do governo britânico.

Se for forçado a um novo adiamento, Boris deve seguir buscando antecipar as eleições, nas quais faria uma campanha ostensiva pela retirada sem
acordo, segundo uma fonte anônima do governo.

Um porta-voz do governo britânico não quis negar nem confirmar as informações, o que levantou suspeitas de que se trata de um vazamento
intencional para deixar claro aos outros 27 países europeus a determinação do governo britânico.

Segundo a ex-ministra do Trabalho Amber Rudd, que renunciou em setembro, essa fonte anônima parece ser Dominic Cummings consultor especial do primeiro-ministro e arquiteto da vitória do brexit no referendo de 2016.

Na semana passada, Boris apresentou uma proposta de acordo, com foco na questão das Irlandas, mas o plano não foi bem recebido. A fronteira entre as Irlandas é o ponto mais sensível do brexit. Se for aprovado, a Irlanda (membro da UE) e a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) voltarão a ter uma fronteira, o que vai contra o acordo de paz firmado em 1998, que encerrou um conflito de três décadas.

No domingo, Boris alertou, em conversa por telefone com o presidente francês Emmanuel Macron, que esta é a “última chance” de obter um acordo
e que os líderes europeus não devem confiar no Parlamento britânico para impedir uma partida brusca.

O brexit foi aprovado em um referendo em junho de 2016, por 52% dos votos. Desde então, o Reino Unido negocia os termos da saída, que já foi adiada duas vezes.