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O reitor e a vice-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais foram levados para depor sobre supostos desvios de 4 milhões de reais

O reitor Jaime Ramírez e a vice-reitora Sandra Goulart Almeida participaram de ato na UFMG após a condução coercitiva. (Foca Lisboa/UFMG)

A PF (Polícia Federal) de Minas Gerais deflagrou na manhã desta quarta-feira (6) a Operação Esperança Equilibrista, que investiga um suposto desvio de recursos destinados à construção e implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil, financiado pelo Ministério da Justiça e executado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

O reitor da universidade, Jaime Arturo Ramírez, e a vice-reitora, Sandra Goulart Almeida, foram conduzidos coercitivamente para depor, além do presidente da Fundep (Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa), Alfredo Gontijo de Oliveira. Duas ex-vice-reitoras e duas funcionárias da Fundep também foram ouvidas. A PF não esclareceu o motivo das conduções coercitivas ou os indícios de eventual participação dos dirigentes da universidade no caso.

Em nota, a UFMG afirmou que não irá se manifestar sobre os fatos que motivam a investigação em curso por se tratar de apuração que tramita em sigilo. “Entretanto, dada a transparência com que lida com as questões de natureza institucional, a UFMG torna público que contribuirá, como é sua tradição, para a correta, rápida e efetiva apuração do caso específico”, diz a nota

Em comunicado, ex-reitores da UFMG manifestaram apoio aos dirigentes da universidade levados para prestar esclarecimentos sobre as obras. “Reiteramos nossa confiança na Universidade Federal de Minas Gerais e na probidade de seus dirigentes, aos quais prestamos nossa total solidariedade e apoio”, escreveram os onze ex-reitores que assinaram a carta.

A apuração foi realizada de maneira conjunta entre a CGU (Controladoria-Geral da União) e o TCU (Tribunal de Contas da União). O delegado da PF responsável pela operação, Leopoldo Soares Lacerda, afirmou que as investigações se iniciaram em março.

De acordo com a PF, foram gastos 19 milhões de reais na construção e pesquisas de conteúdo para a exposição, mas cerca de 4 milhões de reais teriam sido desviados para pagamentos realizados pela Fundep, contratada para pesquisas de conteúdo e produção de material para a exposição de longa duração.

Segundo a PF, os desvios eram realizados “por meio de pagamentos a fornecedores sem relação com o escopo do projeto e de bolsas de estágio e de extensão”.

Conforme a CGU, “foram apurados, até o momento, desvios de mais de R$ 3,8 milhões de recursos vinculados ao projeto do memorial. Além disso, na execução e na prestação de contas da iniciativa, foram verificadas irregularidades, como: falsificação de documentos, pagamento de estágio a pessoas sem vínculo estudantil, desvio de valores para outras contas estranhas ao projeto, além de gastos não relacionados ao objeto da obra”.

O projeto inicial do museu passou de 5 milhões de reais para quase 30 milhões de reais, sendo que o valor gasto até o momento é de quase 20 milhões de reais, ressaltou a CGU.

Idealizado em 2008, o projeto do Memorial visa à preservação e à difusão da memória política dos períodos de repressão, contemplados pela atuação da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça, a partir da reforma do “Coleginho”, no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte (MG), onde seria instalada uma exposição de longa duração com obras e materiais históricos, além da construção de dois prédios anexos e uma praça de convivência.

O nome da operação faz referência a um trecho da música “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, considerada o “hino dos anistiados”. Mais de 80 policiais federais, 15 auditores da CGU e outros dois do TCU cumpriram oito mandados judiciais de condução coercitiva e 11 mandados judiciais de busca e apreensão.

“A UFMG nunca se curvou e nunca se curvará ao arbítrio. Vamos resistir sempre”, afirmou o reitor Jaime Ramírez aos integrantes da comunidade universitária que se reuniram na tarde desta quarta-feira, em frente ao prédio da Reitoria, para manifestar apoio aos gestores atuais e aos antecessores levados a depor por meio de condução coercitiva.

Integrantes da comunidade universitária se reuniram também para dar um abraço simbólico no prédio da Reitoria como forma de apoio à instituição.

Para Clélio Campolina, reitor da UFMG na gestão 2010-2014, a ação da PF foi uma violência que vai contra o espírito democrático que sempre regeu a Universidade. “Contra essa situação de exceção, temos que ser o exemplo de construção democrática”, disse.

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