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O resultado do julgamento da senadora Gleisi Hoffmann no Supremo, nesta terça, pode mudar a estratégia do PT para as eleições: se for condenada, a presidente do partido poderá ter o seu nome fora das urnas

Parlamentar é acusada de corrupção e lavagem de dinheiro. (Foto: Agência Brasil)

Além de ter o seu pré-candidato à Presidência da República preso e sem poder fazer campanha, o PT pode ter um problema a mais para lidar. A presidente nacional da legenda, senadora Gleisi Hoffmann (PR), será julgada na terça-feira pela Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A ação penal contra a parlamentar paranaense será a segunda a ser julgada pela Corte. O primeiro réu da Operação Lava-Jato julgado pelo STF foi o deputado Nelson Meurer (PP-PR), condenado pela Segunda Turma.

De acordo com um dirigente do PT, uma eventual condenação de Gleisi representará um novo fator de desgaste e mais uma crise para a legenda, contribuindo para dificultar a costura de alianças políticas para o pleito de outubro.

O papel que ela exercerá na campanha presidencial também pode ser influenciado pelo julgamento. Gleisi chegou a ser citada como possível vice-candidata da chapa, caso o PT realmente não feche nenhuma aliança.

Nos últimos dias, o julgamento mudou a atuação de Gleisi, ao menos nas redes sociais. Antes restritos à defesa de Lula e à propaganda de sua candidatura, as suas postagens passaram a tratar do processo no STF. A senadora alega ser vítima da “máquina de delações contra o PT” e se diz inocente.

No mesmo processo, também são réus o ex-ministro Paulo Bernardo (marido de Gleisi) e o empresário Ernesto Kugler. As investigações começaram com as delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Segundo eles, Bernardo pediu R$ 1 milhão a Costa para abastecer a campanha da petista ao Senado em 2010.

O dinheiro, supostamente dividido em quatro parcelas de R$ 250 mil, teria sido entregue por um intermediário de Youssef a Ernesto Kugler, empresário ligado ao casal.

Se for condenada, Gleisi pode ficar fora da eleição deste ano. Desgastada entre o eleitorado do Paraná, berço da Lava-Jato, a dirigente do PT desistiu de tentar a reeleição para o Senado e pretendia concorrer a deputada federal, se a necessidade de se apresentar como vice da chapa presidencial não se concretizasse.

Divergência

Entre especialistas, há divergências no que ser refere a uma eventual condenação nesta terça-feira: um revés de Gleisi no Supremo Tribunal Federal seria suficiente para enquadrar a petista na Lei da Ficha Limpa?

A professora Karina Kufa, da área eleitoral do Instituto de Direito Público de São Paulo, entende que não há necessidade de esperar recursos para que a senadora seja considerada inelegível: segundo ele, a primeira condenação colegiada basta.

“Embargos de declaração, apesar de ter efeito integrativo para fins da lei da Ficha Limpa, não precisam do seu julgamento para a aplicação da inelegibilidade”, avalia Karina. “Pacífico esse entendimento no TSE [Tribunal Superior Eleitoral], só poderá haver exceção se estiver expresso na decisão, que foi o que o TRF-4 fez com o Lula, mas isso é muito raro acontecer.”

Já o promotor eleitoral Thales Tácito Cerqueira, do MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais), discorda. Segundo ele, é necessário esperar, pelo menos, o julgamento dos primeiros embargos: “Embargos de embargos ou outro recurso para o Plenário não são necessários”.

 

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