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O Rio Grande do Sul tem a segunda maior redução de internações hospitalares por acidentes de trânsito no Brasil

Em dez anos, impacto foi de R$ 92,7 milhões à rede pública de saúde no Estado. (Foto: EBC)

De 2009 ao ano passado, o Rio Grande do Sul apresentou uma queda de 22% no número de internações por acidentes de trânsito, índice que representa a segunda maior redução dentre todos os Estados nesse quesito durante o período. Os dados constam em um relatório do CFM (Conselho Federal de Medicina), com base em estatísticas do SUS (Sistema Único de Saúde).

Se no primeiro ano analisado foram 3.967 baixas hospitalares, no último houve 3.101 casos, com a respectiva diminuição de R$ 9,6 milhões para R$ 5,6 milhões nos gastos à rede pública de saúde. Em uma década, o impacto foi de R$ 92,7 milhões, boa parte desse montante relacionada ao atendimento de 43.097 feridos graves. A cobertura de pacientes com planos particulares de saúde não entram no cálculo.

De acordo com o CFM, esse é só um dos itens que compõem o cálculo, já que é comum o trabalhador internado ou mesmo já com alta hospitalar faltar ao serviço e, muitas vezes, entra em atestado ou licença-saúde, auxílios doença e aposentadoria por invalidez. Além disso, há uma série de prejuízos em outras áreas, como como seguros de veículos, reparos de danos a infraestruturas e perda ou furto de cargas.

Outros quatro Estados registraram queda no número de internações por esse motivo: Maranhão (-40%), Paraíba (-20%), Distrito Federal (-16%) e Rio de Janeiro (-2%). Já em âmbito nacional, a média é de 33% de aumento, totalizando 1,6 milhão de feridos nesses dez anos, com impacto direto de quase R$ 3 bilhões à saúde pública.

Casos fatais

A situação também se reflete nas estatísticas de acidentes fatais nas ruas, avenidas e rodovias gaúchas. Dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) apontam para uma redução de 13% das mortes no trânsito no período. Para o diretor-geral da autarquia, Enio Bacci, essa conquista se deve a mudanças na legislação, aos esforços da sociedade e de órgãos públicos, mas é ameaçado por alterações propostas pelo governo federal.

“O projeto-de-lei que mexe no Código de Trânsito Brasileiro põe em questão uma série de medidas que já eram consenso na sociedade, como as cadeirinhas para crianças”, lamenta. “Relativizar a legislação transmite a ideia de que não é tão grave transgredir as regras.”

Um documento já está sendo preparado pelo Detran-RS para envio a uma comissão especial da Câmara dos Deputados, com ponderações de técnicos sobre as mudanças propostas, em especial sobre as cadeirinhas, aumento de 20 para 40 pontos como limite para suspensão do motorista infrator e retirada da obrigatoriedade dos exames toxicológicos. “Esse estudo mostra que, além dos custos incalculáveis em vidas, está em jogo a economia do País.”

Em média, a cada hora cerca de 20 pessoas dão entrada em algum hospital da rede pública no Brasil, devido a ferimento grave decorrente de acidente de transporte terrestre. E no mesmo intervalo de tempo, são registradas cinco mortes nesse tipo de ocorrência.

Ao avaliar o volume total de vítimas graves do tráfego (1,6 milhão) entre 2009 e 2018, é possível verificar que 60% desses casos envolveram indivíduos com idade entre 15 e 39 anos, sendo menor a frequência nas faixas etárias que vão de zero a 14 anos (8,2%) e em maiores de 60 anos (8,4%). De um modo geral, quase 80% das vítimas eram do sexo masculino.

(Marcello Campos)

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