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O Viagra atinge a maioridade e reduziu o tabu sobre a impotência, que hoje afeta 32% dos homens

O Viagra completa 18 anos no mercado, com o mérito de ter estendido a vida sexual do homem e colocado em pauta a discussão sobre sexualidade. (Foto: Reprodução)

Ele chegou à maioridade, mudando a trajetória traçada pela biologia humana e dando novo sentido à vida sexual daqueles que chegam à melhor idade. O Viagra completa 18 anos no mercado, com o mérito de ter estendido a vida sexual do homem e colocado em pauta a discussão sobre sexualidade. A sociedade passou a falar mais abertamente sobre temas que, até então, mal chegavam aos consultórios médicos: a impotência sexual e a falta de orgasmo.

As diferenças que ainda persistem entre os gêneros na forma de viver a própria sexualidade foram observadas na pesquisa Mosaico 2.0, conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Prosex (Projeto Sexualidade) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

O levantamento ouviu 3 mil participantes com idade entre 18 e 70 anos, divididos em cinco faixas etárias. Foram avaliados indivíduos de sete regiões metropolitanas do País: Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro, Salvador (BA), Belém (PA) e Distrito Federal. Para 95,3% deles o sexo é importante ou muito importante para a harmonia do casal, percentual que sobe para 96,2% entre os homens e fica em 94,5% para as mulheres.

O levantamento também mostrou que os jovens usam mais camisinha do que os mais velhos. Se a porcentagem dos que usam sempre é de 36,2% na faixa dos 18 aos 25 anos; essa faixa cai gradativamente até chegar a 10,5% entre aqueles de 60 a 70 anos de idade.

“Chamo a atenção que 51,5% das pessoas casadas responderam que não usam camisinha, sendo que cerca de 20% relatam ter mais de uma parceria”, ressalta Carmita. Entre as dificuldades sexuais mais apontadas, a pesquisa mostrou que 32,4% apresentam problemas para ter e manter uma ereção. No entanto, 45,1% têm dificuldades de controlar a ejaculação. Além disso, 30,9% apresentam baixo desejo sexual. Para as mulheres, dificuldade para atingir o orgasmo, de leve à grave, foi a dificuldade apresentada por 43% das entrevistadas (especialmente as mais jovens). Dor no ato sexual foi relatado por 40,3% das mulheres. E 32,5% das mulheres sentem dificuldade em ter interesse por sexo (especialmente dos 26 aos 40 anos).

Pode-se concluir que não foi apenas a vida sexual dos casais que mudou a partir do lançamento de Viagra (citrato de sildenafila), em 1998. Os cuidados do homem com a própria saúde e até mesmo a relação médico-paciente foram profundamente impactados a partir do surgimento da pílula azul, a começar pela mudança na própria terminologia utilizada para designar as falhas de ereção. Considerado depreciativo e associado a uma ampla ideia de incapacidade, o termo impotência sexual foi então substituído por uma expressão mais específica e restrita às dificuldades de ereção, a disfunção erétil.

O antes e o depois da sildenafila.
“Existe uma era pré-Viagra e outra pós-Viagra. Após seu lançamento, não só a sociedade passou a falar mais sobre a disfunção erétil como também os homens começaram a entender que era possível tratar o problema, minimizando o constrangimento que sempre acompanhou a temática. Antes, o paciente chegava com queixas muito genéricas, como dores abdominais e incontinência urinária. Era muito difícil para esse homem falar sobre disfunção sexual, ele não abria essa informação nem mesmo para o médico”, diz o urologista João Afif Abdo. (AG)

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