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O vice de Bolsonaro, general Mourão, descartou mais verba para o setor militar

O general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), eleito vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), lamentou o aperto no orçamento das Forças Armadas, mas reconheceu que não deve haver grandes alterações. “Da forma como está hoje, não há como a gente privilegiar as Forças Armadas. É o dilema da economia: canhão ou manteiga. Ou você privilegia as Forças Armadas ou você privilegia as outras coisas que o Brasil precisa, e as Forças compreendem isso”, disse ele.

Mourão anunciou ainda um “enxugamento” do número de servidores na Vice-Presidência, hoje na casa de 140. “Eu já estou planejando enxugamento da vice. Tem muita gente ali. Se nós queremos passar uma imagem de austeridade, não pode ter muita gente. Temos de começar cortando lá”, afirmou ele, pedindo que auxiliares estudem o caso e apresentem “uma linha de ação”.

Mourão reiterou que “não será um vice figurativo, aquele que fica ali só para cumprir tabela, ou seja, substituir eventualmente o presidente”. E ressaltou que o próprio Bolsonaro lhe disse querer “participação ativa”. Mourão também afirmou que “não se arrepende” do que falou na campanha. “Não tem nada que eu tenha feito para agredir ou ofender as pessoas.” Algumas afirmações feitas ao longo da campanha geraram polêmicas, como as críticas ao pagamento do 13.º salário. Em algumas vezes, acabou repreendido por Bolsonaro. O mesmo ocorreu com seu “guru” Paulo Guedes.

Voo cancelado

Mourão chegou na noite de sábado a Brasília para votar e pretendia regressar ao Rio em voo marcado para as 15h30 de domingo, mas o voo acabou sendo cancelado. Depois de espera e discussão, de acordo com o general, ele foi realocado em outro voo, em outra companhia, saindo de Brasília apenas às 19h15 e chegando ao Rio depois do final do resultado das urnas. Antes do cancelamento do voo, Mourão chegaria ao Rio pouco antes das 17h para acompanhar com Bolsonaro o encerramento da apuração.

Mourão, que circula sem seguranças e diz que gosta de poder “jogar vôlei na praia” e correr sem ninguém por perto, afirmou que não é alvo de ataques, como foi o caso de Bolsonaro. “Eu não preciso. Eu não sou alvo. A minha segurança é a minha capacidade de correr”, disse rindo, e comentando sua performance.

Domingo, por exemplo, ele correu oito quilômetros depois de votar. Mourão, que foi interrompido várias vezes no aeroporto e quando votava para tirar fotos com apoiadores, contou que “em todo esse período” só uma vez foi xingado. “O rapaz me chamou de nazista, de fascista. Eu mandei um abraço e um beijo para ele e segui em frente”, disse ele, ao comentar que deverá ocupar o Palácio do Jaburu. “Jaburu é a parte que me toca nesse latifúndio, a não ser que Bolsonaro queira ir pra lá”, afirmou ele.

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