Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Um projeto que dificulta o aborto foi alterado para facilitar sua aprovação no Senado

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que a Previdência atual é uma “pirâmide financeira” e defendeu a reforma para todos

"Se o governo não encarar essa questão de frente, em 2022 ele não faz mais nada", disse o vice-presidente. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira (13) que o atual sistema previdenciário é uma “pirâmide financeira” e defendeu a aprovação de uma reforma que afete a todos, para que o País consiga recuperar a sua capacidade de investimento.

“Uma coisa tem que ficar bem clara para todos. Se o governo não encarar essa questão de frente, em 2022 ele não faz mais nada. Ele só vai pagar salário e aposentadoria, não vai ter recurso para custeio e para investimentos”, disse.

“A reforma deverá afetar a todos, pares e ímpares, ninguém deve ficar de fora, para que consigamos recuperar nossa capacidade de investimento”, completou ele em palestra no Seminário de Abertura do Ano da revista Voto, em parceria com o Financial Times. O vice-presidente disse que a sociedade tem de entender que o atual sistema previdenciário, da forma como está, não passa de uma pirâmide financeira.

Bolsonaro

No seu discurso, Mourão destacou ter a alegria e a satisfação de dizer que nesta quarta-feira o presidente Jair Bolsonaro está retornando e em condições de dirigir com mão firme, com determinação, todas as tarefas que nós colocamos pela frente.

O presidente passou no fim de janeiro pela terceira cirurgia para se recuperar de um atentado à faca por que passou ainda na campanha eleitoral. Mourão afirmou que uma das tarefas é “deslanchar” a comunicação na questão da reforma da Previdência, por meio de uma campanha de convencimento.

O vice-presidente disse que, além do desafio fiscal, o governo tem que atuar na questão da segurança pública. Ele afirmou que o país está no limiar de ser capturado por “narcoquadrilhas”, que tiram o direito das pessoas de ir e vir. Mourão destacou que Bolsonaro foi eleito para fazer política de uma forma diferente da que se fazia e também para acabar com o chamado “toma lá, dá cá” no relacionamento com o Congresso.

Imagem arejada

Com o afastamento do presidente e os ministros resguardados, Mourão despontou com uma imagem arejada em relação à campanha, quando deu declarações polêmicas sobre o 13º salário e as “fábricas de desajustados”, sobre famílias de mães solteiras. Ele construiu boa relação com a imprensa, irritando bolsonaristas que atacam a mídia.

No exercício da Presidência, no dia 29, Mourão defendeu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse liberado para comparecer ao enterro do irmão Genival Inácio da Silva por uma “questão humanitária”. Ao receber representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) – ligada ao PT – para falar sobre a reforma da Previdência, ponderou que isso era “democracia”.

Ele também irritou auxiliares da área internacional, para quem Mourão teria avançado o sinal nas avaliações sobre a Venezuela, afirmando, por exemplo, que o Brasil poderia prestar ajuda humanitária ao País enviando medicamentos e comida, até mesmo as coletadas por meio de doações de brasileiros.

Para evitar rumores de “fogo-amigo”, as críticas internas ao vice acabaram terceirizadas para aliados de fora do governo, mas próximos à família Bolsonaro. O filósofo Olavo de Carvalho, apontado como o “guru” de Bolsonaro – e padrinho de dois ministros, o chanceler Ernesto Araújo e o da Educação, Ricardo Vélez-Rodríguez – chamou Mourão de “charlatão desprezível” e o acusou de tramar contra o presidente.

 

 

Deixe seu comentário: