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Oito dos 10 candidatos a primeiro-ministro no Reino Unido confessaram ter usado drogas no passado

Michael Gove, secretário do Meio Ambiente, durante lançamento de sua candidatura para a liderança do Partido Conservador. (Foto: Reprodução)

Esta é uma história sobre líderes do Partido Conservador britânico que usaram drogas e querem ser o próximo primeiro-ministro.

Podemos supor que poucos dos dez candidatos selecionados na noite de segunda (10) por membros do partido no Parlamento vão querer falar de seu consumo passado de drogas ilegais no momento em que iniciam suas campanhas para tomar o lugar de Theresa May.

Azar deles. O fato é que os líderes do partido farrearam quando eram jovens.

E agora a imprensa e as redes sociais britânicas querem saber quem fumou ou cheirou o quê e quando. Dos dez candidatos a chefe de governo, oito já admitiram ter usado drogas no passado.

O jornal The Guardian achou necessário publicar um texto explicativo intitulado: “Os altos conservadores: as drogas e o passado dos vários candidatos à liderança”.

É um pouco constrangedor ver os candidatos confessando no Twitter as indiscrições juvenis que cometeram quando estudavam nas universidades de elite da Inglaterra –e, ao mesmo tempo, tentando dar atenção à questão do que vão fazer sobre o Imposto de Valor Adicionado, por exemplo.

E está pouco claro o que os cerca de 120 mil membros do Partido Conservador –que vão escolher entre dois últimos finalistas — pensam sobre um ex-ministro fumando um baseado quando estava em Oxford, ou mesmo se eles se importam com isso.

A discussão toda começou quando um dos candidatos mais bem cotados, o secretário do Meio Ambiente, Michael Gove, admitiu ter usado cocaína “em várias ocasiões” no passado. Várias? Obviamente a imprensa britânica quis saber mais.

Imediatamente surgiram reportagens nos tabloides sobre uma suposta “vida secreta” e uma “turma arriscada” em cassinos de Mayfair e clubes de Soho nos tempos em que Gove era um jovem jornalista.

Então alguém recordou que o ex-secretário das Relações Exteriores Boris Johnson –que lidera a corrida para substituir Theresa May, por enquanto— já confessou que lhe ofereceram cocaína um dia.

“Acho que me ofereceram cocaína uma vez, mas eu espirrei e por isso ela não entrou no meu nariz. Na realidade, posso ter cheirado açúcar de confeiteiro”, disse o ex-prefeito de Londres no programa de TV da BBC “Have I Got News For You” em 2005.

Johnson admitiu ter experimentado cocaína e maconha na juventude, mas disse à Gentleman’s Quarterly em 2007 que as drogas “não tiveram nenhum efeito farmacológico, psicotrópico ou qualquer outro sobre mim”.

O candidato Rory Stewart, secretário de Desenvolvimento Internacional britânico, foi quem contou a melhor história.

Sim, disse Stewart, ele fumou um pouco de ópio. Em um casamento. No Irã.

“Fui convidado à casa da família, e o cachimbo de ópio foi passado entre todos os presentes num casamento”, ele disse ao Telegraph. Mas a família era tão pobre que colocou pouco ópio no cachimbo.

E você pensava que correr atrás do brexit é perseguir uma fantasia. Ah, sim, os candidatos à liderança conservadora também andam falando do brexit.

Cada um diz que ele ou ela é o único (a) a ter um plano novo, ousado e digno de crédito para tirar o Reino Unido da União Europeia.

Para os críticos, os planos não são ousados nem novos. E não condizem com a realidade.

Mas a curiosidade em relação ao passado dos candidatos vem suscitando mais interesse que a discussão sobre o futuro do Reino Unido.

Seguindo o exemplo de políticos em todo o mundo que se desculpam sem pedir desculpas de fato, os candidatos britânicos fizeram confissões não confessionais.

Eles não “fumaram” maconha quando estavam na faculdade. Em vez disso, “experimentaram” cannabis. Como se fosse um prato da culinária etíope. Ou uma calça xadrez. “Experimentei cannabis na universidade”, admitiu o ex-secretário do Brexit, Dominic Raab. “Não com frequência. Eu gostava de esportes.”

A ex-secretária das Pensões, Esther McVey, disse à rede ITV que nunca usou drogas pesadas. “Mas, se experimentei um pouco de maconha? Sim. Quando eu era bem mais jovem.”

O ex-secretário das Relações Exteriores Jeremy Hunt disse ao London Times: “Se não me engano, tomei um lassi com cannabis quando viajei pela Índia como mochileiro”. Um “bhang lassi” é um iogurte com infusão de maconha.

“Todo o mundo tem direito a uma vida privada antes de tornar-se parlamentar”, argumentou Andrea Leadsom, que admitiu ter fumado maconha na universidade.

A enxurrada de confissões arrastou até a pobre Theresa May, que respondeu certa vez, em declaração que ficaria famosa, que “a coisa mais atrevida” que já fez na vida foi correr no meio de um campo de trigo. Seu porta-voz disse em comunicado à imprensa: “Theresa May nunca usou drogas ilegais”.

Nicola Sturgeon, a líder do Partido Nacional Escocês, descreveu a corrida pela liderança conservadora como “um show de horrores”.“Cortes nos impostos para os mais ricos, ataques ao direito ao aborto, hipocrisia sobre o consumo de drogas, ilusão contínua em relação ao brexit”, ela escreveu no Twitter.

“Os conservadores estão realmente mostrando a que vieram.”

A aflição dos políticos na questão de seu uso de drogas reforça as críticas de que os conservadores estão à deriva –envolvidos em intermináveis discussões e manobras políticas internas e deixando de cuidar das necessidades do país.

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