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Oito mulheres com “corpo deformado e dores” denunciam cirurgião plástico em Brasília

Os casos foram registrados como "falha em cirurgia plástica e erro médico". (Foto: Reprodução)

Até a última sexta-feira (13), oito mulheres já haviam denunciado o médico Sílvio Parreira da Rocha, cirurgião plástico, na Polícia Civil de Brasília. As vítimas têm passado por exames no IML (Instituto Médico Legal), procedimento necessário para o prosseguimento da investigação. As mulheres falam em “corpo deformado, dores e depressão”. As informações são do portal G1.

Os casos foram registrados como “falha em cirurgia plástica e erro médico”. Parte das vítimas são defendidas pelos advogados Geraldo Arruda e Thawanna Lopes. A defesa cita os seguintes problemas nos procedimentos: cicatrizes aparentes; abdominoplastia que não deu certo; mamilos tortos; dificuldade em fazer a cirurgia de reparo; dores meses após a cirurgia; camadas de gordura que não foram retiradas do corpo.

O cirurgião atende em uma clínica particular de Taguatinga. Na sexta, a reportagem foi ao local, mas a secretária disse que ele estava de férias.

Ele é registrado no CRM (Conselho Regional de Medicina) e atua na profissão há 32 anos.

Segundo uma das pacientes – que preferiu não se identificar – o médico cobrou R$ 15 mil para fazer uma cirurgia de redução das mamas, em 15 de janeiro. Ela conheceu o profissional a partir de uma indicação nas redes sociais.

A mulher, de 46 anos, também recebeu um implante de silicone e retirou gordura do abdômen. No entanto, segundo ela, “os procedimentos não foram bem sucedidos”.

“A cicatriz ficou grosseira, dá até pra sentir pela roupa. Oito meses depois de tudo isso e ainda tenho que usar cinta e pomadas.”
Insatisfeita com o resultado e se queixando de dores pelo corpo, a paciente voltou a procurar o médico. Em maio passado, ela diz que pagou mais R$ 300 por uma nova cirurgia, dessa vez de correção. “Entrei em pânico, quis morrer, fiquei com raiva e vergonha de mim mesma”, disse.

A paciente afirmou que desenvolveu depressão. À polícia, ela disse que durante o segundo procedimento chegou a levar choques no aparelho usado pelo médico e “gritou de dor”.

“Notável qualificação”

A diretoria regional Distrito Federal da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) publicou um manifesto público, na sexta-feira (13), defendendo o cirurgião plástico Sílvio Parreira da Rocha. Na quarta (11), ao menos cinco mulheres haviam procurado a Polícia Civil para prestar queixa contra ele. Na sexta, o número de mulheres que denunciaram o médico subiu de cinco para oito.

No manifesto, a associação apontou que o cirurgião “possui notável qualificação e elevada respeitabilidade científica e ética na comunidade médica” e ressaltou que há riscos em qualquer procedimento cirúrgico, pois os médicos trabalham “com margens de imprevisibilidade sobre a reação do organismo operado”.

Por fim, o órgão alegou que mantém “rígido controle sobre a formação e contínuo aprimoramento de seus membros” e disse confiar na independência e na imparcialidade das investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, colocando-se à disposição de colaborar com as apurações.

O texto foi assinado pelo presidente da associação, Lúcio Marques da Silva; a tesoureira, Laudicely de Araújo Costa; e o secretário executivo, César Daher Ceva Faria. A SBCP é composta por cerca de 5.500 cirurgiões plásticos, entre titulares, associados e aspirantes a membros.

Por telefone, o médico disse à reportagem que “todos têm direito de reclamar, assim como têm o direito à defesa”. Ainda assim, ele afirmou que não comentaria o caso. Depois, Rocha não retornou aos contatos da reportagem.