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Olha pra trás e pra frente

Editoria de Arte/O Sul

Por que janeiro se chama janeiro? Janeiro se chama janeiro porque homenageia um deus pra lá de poderoso. É Jano. Ele tem duas caras. Uma olha pra trás. Vê o passado. A outra olha pra frente. Enxerga o futuro.

Quando termina o ano, com uma cara, o senhor do calendário mira dezembro. Despede-se. E fecha a porta do ano velho. Com a outra, observa o ano que chega. Abre a porta e deixa-o entrar. Viva! Que traga sorte.

Sem nobreza

Olho vivo, marinheiro de poucas viagens. Eles são 12. Repetem-se ano após ano. Uns têm 30 dias. Outros, 31. Só um se conforma com 28. De quatro em quatro anos, ganha um de presente. Fica com 29. Apesar das diferenças de tamanho, os meses têm um denominador comum. Escrevem-se com a letra inicial mixuruuuuuuuuuuuuuca: janeiro, fevereiro, março, abril, maio.

Vira-vira

As palavras são vira-casacas. Mudam de classe como mudamos de camiseta. Vale o exemplo do substantivo. Nome próprio vira comum sem cerimônia. É o caso de João, Maria, Pará, Brasil. Eles perdem o pedigree em joão-de-barro, banho-maria, castanha-do-pará, pau-brasil. Nome comum também vira próprio. O mês, em datas comemorativas, ganha nobreza. Grafa-se com a inicial grandoooooooooona: o 7 de Setembro, o 1 de Maio.

O primeirão

Ele é exclusivo. Só o primeiro dia do mês se escreve em numeral ordinal. Os demais entram na vala comum. Grafam-se em cardinal: 1 de janeiro, 1 de fevereiro, 1 de abril, 2 de maio, 15 de junho, 24 de dezembro.

Xô, ponto!

Ops! Ao escrever os números, usamos ponto a cada três algarismos – 1.426, 12.122, 3.342.600. Mas, ao indicar o ano, a história muda de enredo. Vem tudo coladinho. Assim: Ele nasceu em 1946. Trabalha em São Paulo desde 2000. Em 2014, o Brasil foi sede da Copa do Mundo. Em 2016, atletas olímpicos receberam a bênção do Cristo Redentor.

Por falar em ano…

Zero ano? Não existe. O bebê precisa viver 12 meses pra chegar ao primeiro aniversário. Comerciantes e órgãos públicos se esquecem do calendário. Num dia e noutro também, leem-se frases como estas: Roupas para crianças de 0 a 2 anos. Crianças de 0 a 6 anos devem ser vacinadas. Vivi com eles do 0 aos 12 anos.

Valha-nos, Deus! Querem obrigar a meninada a correr na frente do tempo. Não dá. Melhor respeitar a ordem: Roupas para crianças de até 2 anos. Crianças de até 6 anos devem ser vacinadas. Vivi com eles do nascimento até completar 12 anos.

Calma, gente

Os pais andam apressados. É um tal de comemorar o aniversário de um mês, de festejar o aniversário de dois meses, de fazer festinha pra cantar parabéns pro filhão de cinco meses. Esquecem-se de pormenor pra lá de importante. Aniversário vem de ano. Precisa-se de 365 dias pra completar o primeiro, o dobro pra chegar ao segundo, o triplo pra atingir o terceiro. E daí? Pra satisfazer os loucos por festas, procura-se um neologismo – mistura de mês com aniversário.

Colaboração

“O pesadelo das palavras
Quando vou dormir / O cansaço das palavras me antecede / E eu chego a ouvir seus bocejos / antes dos meus / E depois o ronco de algumas / delas já no seu merecido sono /Sei que também sonham / enquanto durmo / Porque entram nos meus / próprios sonhos / Quando sentem pesadelo. / O maior deles, ultimamente (Elas / que falam isso pra mim), É / saber que no Brasil dos nossos dias há 12 milhões de desempregados.” (Ayres Brito)

dad.squarisi@gmail.com

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