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Opositores dizem que Cuba é o segredo da manutenção de Nicolás Maduro no comando da Venezuela

Especialistas consideram exageradas as teses sobre a importância do governo de Havana em Caracas. (Foto: Reprodução)

Muitos dos apoiadores do autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, dizem que Cuba é o segredo da manutenção no poder de Nicolás Maduro. Em dezembro, o presidente da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, afirmou que o regime de Havana “é uma força de ocupação da qual Caracas deve ser libertada”.

Na semana passada, o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, fez uma declaração semelhante, ao dizer que o país caribenho “exerce uma influência maligna sobre a Venezuela. O próprio Guaidó afirmou à rede norte-americana de notícias CNN que Cuba precisa deixar o país, e na quinta-feira o coro foi engrossado pelo ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

“Nós concordamos totalmente que Cuba tem um papel infeliz em manter a ditadura de Maduro”, declarou o chanceler em Washington. “Essa é uma grande parte do problema.”

Um ex-analista sênior da Inteligência americana na América Latina, professores de relações internacionais especialistas em Cuba e pesquisadores da região discordam. Segundo eles, embora Havana tenha interesses, faça negócios e coopere com a Venezuela (incluindo na área militar), as denúncias dos opositores de Maduro são exageradas.

“O regime de Havana busca um pragmatismo, uma moderação e uma estabilidade em suas relações que Maduro é incapaz de oferecer”, avalia Fulton Armstrong, que trabalhou por mais de 30 anos no serviço de Inteligência dos Estados Unidos e é professor da American University em Washington.

“Cuba recomenda moderação e pragmatismo para Maduro há muito tempo, mas ele é teimoso e inseguro e não consegue entender”, ressalta. “Há tensões entre os dois países e a incapacidade de Maduro em lidar com os desafios é uma fonte de grande desespero em Havana. Os boatos são de que Raúl Castro e agora Miguel Díaz-Canel não gostam de Maduro, por considerá-lo ineficiente e estúpido, um ‘loser’ [“perdedor”, em inglês]”.

Escambo

Em outubro de 2000, o então presidente venezuelano Hugo Chávez e o então ditador cubano Fidel Castro (ambos já falecidos) assinaram um convênio de cooperação que estabelecia o envio de 53 mil barris de petróleo por dia à ilha, em troca de profissionais como médicos, professores e consultores militares. A cooperação entre as Forças Armadas, portanto, é real. O que é diferente, porém, de “ilimitada”.

“Há uma distorção de que Cuba controla o aparato militar venezuelano”, diz Geoff Ramsey, especialista em Venezuela do Wola (Escritório de Washington para a América Latina). “Eles têm um papel consultivo mas não tomam as grandes decisões. A atual estratégia norte-americana é de oposição total a Cuba, o que pode prejudicar os próprios interesses norte-americanos e dificultar as reformas na ilha.

Ainda segundo ele, Cuba poderia ajudar em uma transição na Venezuela se tivesse sinais claros de que teria acesso a petróleo. Mas a oposição ao governo de Carcas jamais aceitaria isso, por um fator ideológico.

Armstrong acrescenta que “ninguém conhece os números e papéis exatos” do militares cubanos em Caracas. Estes dados, afirma, “sempre são muito aumentados”, com o “desejo de usar a Venezuela para atacar Cuba”. Ele observa que tampouco tem estas informações, mas que, provavelmente, os consultores têm “um papel secundário”, em treinamentos e, “por vezes, tecnologia”.

“Eles não estão no círculo mais próximo do presidente”, acrescenta. “A maior parte das pessoas exagera o grau de influência de consultores. Eles não formulam políticas. Se formulassem, Maduro não estaria nos apuros em que está. A informação mais confiável diz que a ajuda cubana se concentra na segurança pessoal de Maduro. Há boatos de que foram cubanos que detectaram a tentativa de assassinato do líder chavista com um drone, em agosto.

Embora a influência cubana em Caracas seja limitada, dizem os especialistas, as receitas cubanas dependem de Maduro. Em 2005, a quantidade de petróleo enviada aumentou para 90 mil barris: “Mais de 60% do consumo de energia de Cuba não dependia de dinheiro, mas era pago com profissionais e serviços”, diz Jorge Piñon, especialista em energia na América Latina da Universidade do Texas.

Devido à crise econômica na Venezuela, o fornecimento de petróleo começou a diminuir em julho de 2016, até chegar a entre 35 mil e 40 mil barris por dia, o equivalente a US$ 800 milhões. Em 2015, ampliou-se um afastamento entre os países, que vinha desde a morte de Chávez, em 2013, e a troca de Fidel por Raúl Castro, em 2011.

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