Ops! Olho na letra

(Foto: Reprodução)

Executivo? Legislativo? Qual o quê! Os holofotes estão sobre o Judiciário. Domingo foi um dia pra lá de tumultuado. Lula parecia estar numa porta giratória – sai-da-cadeia-não-sai-da-cadeia-sai-da-cadeia-não-sai-da-cadeia-sai-não-sai. Ufa! Termos do jargão de advogados & cia. ganharam a boca do povo. Entre eles, o tratamento dado a Sua Excelência o magistrado. É o caso de meritíssimo.

Muitos trocam uma letra. Dizem meretíssimo. Ops! Fazem grande estrago. Ofendem. A troca de letra lembra meretriz. Valha-nos, Deus! É cadeia certa. Pra escapar do xilindró, basta usar a forma nota 10 – meritíssimo. Ela é derivada de mérito. Como filho de peixe sabe nadar, o i pede passagem. Abram-lhe alas.

Como é?

Justiça com letra maiúscula ou minúscula? Depende. Com a inicial grandona, a trissílaba quer dizer Poder Judiciário. Nos demais casos, só a pequenina tem vez: A Justiça ordenou o imediato retorno ao trabalho. Queremos justiça. Faz justiça com as próprias mãos.

Cada macaco no seu galho

Sentença ou parecer? Olho vivo. No âmbito da Justiça, trocar os papéis pega mal como furar a fila, dirigir sem cinto de segurança ou deixar de dar bom-dia ao entrar no elevador. Só a Justiça é competente para proferir sentença. Ministro, desembargador, juiz condenam, absolvem, ordenam, determinam, impõem. Parecer é coisa do Ministério Público.

Em cartaz

A semana usou e abusou de duas expressões latinas. Uma delas: habeas corpus. A duplinha é o nome da lei inglesa que garante a liberdade individual. Em português claro, quer dizer “que tenhas o corpo livre para te apresentares ao tribunal”. A outra: dura lex, sed lex. Tradução: a lei é dura, mas é lei.

Reparou? As expressões latinas não têm acento nem hífen. Se aparecer um ou outro, elas perdem a originalidade. Entram, então, na vala comum dos compostos. Ganham hífen. Compare: via crucis, via-crúcis.

O poder

O tratamento dado a juiz? É excelência sim, senhores.

Pai e mãe

“Falta rapidez à Justiça”, dizem baianos, goianos & cia. verde-amarela. E não é de hoje. Há processos rolando desde os primórdios do século passado. E daí? Enquanto a agilidade não vem, vale matar a curiosidade da leitora Janaína Bordes. Ela pergunta por que rapidez se escreve com z.

A resposta: porque as palavras têm pai e mãe. Rapidez é filho de adjetivo (rápido). Substantivos abstratos derivados de adjetivo se grafam com a lanterninha do alfabeto: mudo (mudez), surdo (surdez), límpido (limpidez), sensato (sensatez), honra (honradez).

Leitor pergunta

“Sei que a preposição muda o recado do verbo pedir. Mas não tenho segurança no assunto. Pode me dar uma dica?” (Samantha Gomes, Formiga)

Você tem razão, Samantha. O filho pede aumento de mesada. O empregado pede promoção. O aluno pede nota. O amado pede a mão da amada. Todos conjugam o verbo pedir. Alguns são atendidos. Outros não. O segredo? O jeitinho de pedir. A chave: pedir que e pedir para. As duas construções parecem irmãzinhas. Mas não são.

Pedir para esconde a palavra licença: O filho pediu ao pai (licença) para sair à noite. O aluno pediu (licença) para sair mais cedo. A jovem pediu (licença) para pegar o carro.

Pedir que exclui licença: O chefe pediu aos empregados que aguentem o arrocho salarial. O empregado pediu ao chefe que não lhe desse só aumento de trabalho. Desse também aumento salarial.

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