Domingo, 19 de Janeiro de 2020

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Brasil Os bancos brasileiros não repassam aos clientes a menor taxa Selic da história

A Selic caiu de 5,5% para 5% na semana passada. (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

O BC (Banco Central) indicou em junho que voltaria a reduzir a taxa básica de juros (Selic), depois de mantê-la estável em 6,5% ao ano por 11 meses. Desde então, a Selic teve dois cortes, está em 5,5% e o BC deixou claro que haverá pelo menos mais um corte até dezembro. Apesar disso, os bancos não repassaram aos clientes o ganho obtido com a queda no custo de captação provocada pela redução da taxa básica.

A remuneração paga pelos bancos para captar recursos caiu 1,1 ponto percentual entre maio e agosto – de 7,4% para 6,3% ao ano. No mesmo período, os juros médios cobrados nos empréstimos concedidos a empresas e pessoas físicas recuaram apenas 0,6 ponto percentual, de 38,5% para 37,9% ao ano. O chamado spread bancário – a diferença entre o custo de captação e os juros dos empréstimos – engordou a margem bruta de lucro dos bancos. Entre maio e agosto, subiu 0,5 ponto percentual, de 31,1% para 31,6%.

Os dados dizem respeito somente ao chamado crédito livre, segmento em que os bancos têm liberdade para fixar os juros dos empréstimos a partir de seus custos. No crédito direcionado, que utiliza recursos subsidiados do Tesouro Nacional ou de fontes como o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), os juros são menores, mas não são livremente fixados pelos bancos. Em tese, os juros do crédito livre deveriam refletir o nível de competição dos bancos.

De outubro de 2016 a março de 2018, a taxa Selic recuou de 14,25% para 6,5% ao ano e, desde agosto, para 5,5% ao ano, a menor taxa da história. De maio a agosto, o que se viu na ponta foi a elevação dos juros, por exemplo, no crédito rotativo do cartão de crédito, que saltou de 299,8% para 307,2% ao ano.

Levando-se em consideração todo o crédito bancário, as taxas tiveram alta de 0,8 ponto percentual em 12 meses até agosto. Quando se considera o ciclo de corte da Selic iniciado em outubro de 2016, o juro do crédito livre caiu 16 pontos percentuais, de 53,8% para 37,9% ao ano.

Novas formas de investimento

Na semana passada, em sua decisão de política monetária, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu mais uma vez a Selic, estacionando temporariamente nos 5,50% ao ano. Temporariamente sim, porque o próprio BC acenou que ela deve continuar baixando, dada a estabilidade crescente da economia. Um cenário desejado por todos os empresários e empreendedores do País.

Porém, essa baixa é motivo de preocupação para outro grupo de pessoas: os investidores de renda fixa. Afinal, o rendimento de suas aplicações seguem a taxa Selic. Esses investidores estão acostumados a aplicar seu dinheiro com um ganho muito pequeno, porém com a “segurança” de saber quanto vão ganhar.

Já para a turma da renda variável (leia-se investimento em ações), o impacto dessa baixa ainda pode ser indefinida, mesmo tendendo a ser sinônimo de uma alta rentabilidade. A bolsa de valores possui um comportamento próprio, independente de qualquer política ou tendência. Investir em ações é e sempre será uma caixinha de surpresas, rentáveis e agradáveis, mas também muitas vezes desagradáveis.

Nesse meio termo aparecem os investidores em Imóveis para Renda, que possuem um ganho fixo (aluguel) mas que também é variável (demanda, taxa de ocupação, valorização dos imóveis, etc.). Com a economia aquecida, a tendência é que os valores dos imóveis se recuperem e que a demanda se normalize ao médio e longo prazo.

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