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Os bastidores do primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República mostraram mudanças em suas estratégias de participação no programa

Programa foi considerado "morno" por analistas políticos. (Foto: Reprodução)

Sem a presença de candidato do PT no debate entre presidenciáveis na Band, na quinta-feira, não houve polarizações nos bastidores como já ocorreu em edições anteriores. Os únicos petistas na plateia foram o tesoureiro do partido, Emídio Souza, e o advogado Marco Aurélio Carvalho.

Quando chegou ao estúdio, a dupla logo soube que não havia lugares reservados para o partido e teve que buscar assento perto dos jornalistas. Ambos foram embora no segundo bloco. Muitos políticos, aliás, tiveram de dar meia volta, já que os candidatos tiveram apenas sete convites para distribuir.

Fora do foco da câmera, Ciro Gomes (PDT) não escondia o incômodo por ser pouco acionado. Quando foi chamado pela primeira vez, levantou as mãos em agradecimento. E Jair Bolsonaro (PSL) demonstrava nervosismo no começo do debate, quando foi interpelado por Guilherme Boulos (PSOL).

No primeiro bloco, o ex-militar ficou sentado durante todo o tempo para, segundo um auxiliar, demonstrar moderação. O general Augusto Heleno, que quase foi vice de Bolsonaro, disse a jornalistas que ajudou no “mídia training” do candidato e o aconselhou a ter moderação. No intervalo, porém, a estratégia mudou.

Apesar de ter levado vários assessores ao debate, Henrique Meirelles (MDB) ficou com a gravata torta durante quase todo o programa. Já o staff de Marina Silva (Rede) correu para levar um xale para ela no primeiro bloco, pois a candidata reclamava de frio no estúdio.

Geraldo Alckmin (PSDB) permaneceu impassível nos intervalos e parecia desconfortável no assento. Entre um bloco e outro, conversava com seu marqueteiro, Lula Guimarães. Entre os aliados presentes na plateia, estavam o ex-prefeito João Doria, a senadora Ana Amélia, sua vice, e Lu Alckmin.

Debate “morno”

os candidatos evitaram, na maior parte do tempo, o confronto direto. O encontro entre os presidenciáveis, que durou cerca de três horas, transcorreu em temperatura “morna”, na avaliação de diversos veículos da imprensa e analistas políticos.

A expectativa de que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, fosse o principal alvo de questionamentos dos adversários, por exemplo, não se confirmou. Já Geraldo Alckmin (PSDB), dono da maior coalizão partidária, enfrentou provocações dos rivais mas com um discurso mais técnico, procurou citar dados de suas gestões em São Paulo, enquanto adversários tentaram associá-lo ao governo de Michel Temer.

Marina Silva criticou a aliança do PSDB com o bloco partidário, que integra a base do Palácio do Planalto. A ex-ministra disse que o governo é responsável pelas “mazelas e tem assaltado o povo”. “Isso é fazer mudança?”, questionou ela ao tucano.

Alckmin afirmou que, para sair do “marasmo”, é preciso aprovar reformas e que isso depende de uma “maioria” no Congresso. “Alianças são por tempo de TV, para se manter no poder. É a governabilidade com base no exercício puro e simples do poder”, disse Marina. “Política é um caminho para mudanças e alianças são necessárias para implementar mudanças”, respondeu o tucano.

Ciro e Alckmin divergiram em relação à reforma trabalhista, aprovada em 2017. O candidato do PDT perguntou ao tucano se ele iria manter a reforma trabalhista, que, na avaliação do ex-ministro, introduziu insegurança jurídica e é uma “aberração”. Alckmin defendeu a reforma, que ele classificou como “avanço”. “Mantenho a posição, reforma trabalhista vai estimular mais emprego”, afirmou.

O ex-ministro da Fazenda questionou o tucano ao dizer que o PSDB chamou o Bolsa Família de “Bolsa Esmola” e que o DEM, partido do Centrão que apoia Alckmin, afirmou que o programa “escraviza as pessoas”. O tucano afirmou que vai ampliar o programa com dinheiro do “Bolsa Banqueiro”.

O debate foi aberto com uma questão: como combater o desemprego. Alvaro Dias gastou o tempo concedido se apresentando aos telespectadores e foi interrompido quando citava novamente a sua intenção de, se eleito, convidar o juiz federal Sérgio Moro para o Ministério da Justiça.

Na rodada de perguntas, o momento mais quente ocorreu quando Boulos perguntou a Bolsonaro (a quem chamou de “machista”, “racista” e “homofóbico”) sobre uma suposta funcionária fantasma mantida por Bolsonaro em Angra dos Reis.

O tema “mulheres” foi citado por Alvaro Dias, que fez uma pergunta a Bolsonaro sobre a diferença de salário entre gêneros e da violência contra a mulher. Segundo Bolsonaro, a questão da misoginia foi um “rótulo que botaram na minha conta”. Disse que valoriza as mulheres e que, em breve, os homens é que vão querer ganhar igual às mulheres.

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