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Os brasileiros passam mais de 3 horas por dia conectados na internet

E desse tempo, apontam outros estudos, pelo menos um terço gasto em redes sociais. (Foto: Reprodução)

Cada vez ficamos mais tempo conectados. Os brasileiros, por exemplo, passam, em média, três horas e 40 minutos online. Foram os números a que chegou a consultoria GlobalWebIndex em 2013. É possível que hoje seja mais. E desse tempo, apontam outros estudos, pelo menos um terço gasto em redes sociais.

Não é difícil encontrar quem veja nesses hábitos um aspecto negativo, corroborado por vários estudos científicos. O tempo passado online, afinal, estaria ligado a mais sedentarismo, queda na produtividade no trabalho, gastos descontrolados e problemas de saúde como depressão e obesidade.

É um cenário certamente problemático e que faz alguns críticos culparem a internet por uma epidemia de infelicidade. Mas o economista Tyler Cowen sustenta que o problema na discussão está menos na internet e mais em como a usamos. E, principalmente, na concepção que os críticos da vida online têm do que é felicidade.

Em uma coluna recente na Bloomberg, Cowen recorre aos conceitos de Daniel Kahneman, um dos pais da economia comportamental e ganhador do Nobel de Economia, para situar que há duas formas de nos sentirmos felizes.

Uma delas corresponde a um estado de curto prazo. Todo mundo fica feliz, por exemplo, com uma vitória do time de coração. A outra diz respeito a um estado de satisfação que envolve vários fatores. Ser feliz é duradouro, estar feliz é momentâneo.

Em um dos estudos, em colaboração com o colega Daniel Shckade, Kahneman demonstra que, por exemplo, viver em um lugar dos sonhos, como a Califórnia ou Paris, não torna necessariamente as pessoas mais felizes. Mesmo com mais oportunidades, os estudantes californianos eram menos satisfeitos com a vida do que os estudantes de Michigan.

Morar na Califórnia oferece mais atividades, shows, eventos, contatos profissionais, etc.

A internet faz muito mais, com recompensas imediatas quase infinitas: oportunidades de trabalho, estar em contato permanente com as pessoas próximas, assistir vídeos divertidos, ouvir música, séries em streaming, notícias ou mesmo a treta do momento.

Com tantas ofertas, a internet reduziu de forma radical os custos para se obter prazer. Nos anos 80, por exemplo, para ver um filme era preciso ir ao cinema ou à locadora. Hoje um catálogo imenso está disponível nas plataformas como o Netflix, Amazon e etc.

Mas, como demonstram estudos de economia, as pessoas rapidamente adaptam suas expectativas sobre o que as faz felizes. Além disso, essas experiências não criam memórias positivas intensas. Vamos convir: quase ninguém vai lembrar com emoção de um vídeo que viu no Youtube na semana passada como faria se tivesse descido uma cachoeira ou ido ao bloco de carnaval.

Muitas pessoas continuam querendo recompensas cada vez maiores, ficando frustradas quando não conseguem. Daí a sensação de tempo perdido. Mas isso basta para dizer que a internet nos torna mais infelizes?

Cowen discorda. Para ele, a falha nos críticos é não perceber como a internet facilita boas e duradouras lembranças quando não estamos online. Os sites de viagens e buscadores são um exemplo, ajudam a viajar mais barato – e mais. Resenhas de restaurantes levam muita gente a conhecê-los. Todas essas experiências têm impacto de longo prazo no nosso bem-estar.

No lado negativo, a internet é um facilitador, mas preferir as recompensas imediatas é uma tendência humana. E no fim todos conseguem abrir mão dos exageros da vida online, como passar muito tempo nas redes sociais, sem um grande drama.

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