Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020

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Brasil Os candidatos ao cargo de procurador-geral da República estão na corrida para obter apoio político

O mandato da atual procuradora-geral, Raquel Dodge, termina em setembro. (Foto: Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil)

Com uma jornada que pode se prolongar por mais dois meses, candidatos a procurador-geral da República estão se movimentando de forma intensa, mas silenciosa, em busca de apoio político para uma indicação ao cargo. O beija-mão de parlamentares e ministros começou antes da escolha da lista tríplice, no mês passado, e deve se estender até setembro, quando termina o mandato da atual procuradora-geral, Raquel Dodge, também interessada em permanecer no cargo.

A lista tríplice foi definida em uma eleição interna do Ministério Público Federal em 18 de junho. Mas, mesmo assim, o presidente Jair Bolsonaro já deixou claro a vários interlocutores que só indicará publicamente o futuro procurador-geral nos momentos finais do mandato de Dodge. Segundo observadores da corrida interna, a demora na indicação é útil ao governo porque mantém a procuradora-geral e os demais candidatos em compasso de espera. Ou seja, garante ao governo um período de relativa tranquilidade.

Alguns procuradores entendem também que a indefinição resulta em desgaste dos candidatos. Isso porque eles são obrigados a se manter em campanha e pedir apoio a políticos, alguns dos quais investigados ou alvos potenciais de investigações que podem ser conduzidas pelo chefe do Ministério Público. Nas campanhas passadas, os candidatos a procurador-geral também tentavam se aproximar dos políticos, mas por um prazo mais curto e sem necessidade de demonstrar maiores afinidades com os eventuais padrinhos, como acontece agora.

“Antes, o presidente da República indicava um nome e ponto final. Agora, acho que o presidente terá que levar em conta a opinião da Câmara e do Senado”, disse ao jornal O Globo um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em busca de “padrinhos”

No quesito relação com o mundo político, Dodge continuaria à frente dos outros quatro candidatos, os três da lista tríplice e o subprocurador-geral Augusto Aras, que corre por fora. A procuradora-geral tem apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), do presidente do STF, Dias Toffoli, e do ministro da Corte Gilmar Mendes, mas nem seus aliados arriscam a cantar vitória.

Nos últimos dias vem crescendo a candidatura de Augusto Aras. O subprocurador tem boa desenvoltura no meio político e, recentemente, se aproximou do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Coordenador da Câmara de Defesa Econômica da Procuradoria-Geral, Aras endossou boa parte do pacote de concessões de ferrovias, aeroportos e aeroportos de Freitas. Seu discurso desenvolvimentista coincide com os programas liberais do ministro e também de Paulo Guedes, da Economia.

Em outra frente, está o subprocurador-geral Mário Bonsaglia, primeiro colocado na lista tríplice. Considerado um conservador favorável ao recrudescimento penal, Bonsaglia, recentemente, esteve com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e conquistou o apoio de parlamentares da bancada da bala. Ontem, o grupo emitiu uma nota em que defende a indicação de um nome da lista tríplice.

“A gente teria a preferência por um nome mais à direita. Alguém alinhado à continuidade da Lava-Jato e que seja pelo menos neutro em relação aos valores cristãos. Não queremos ninguém que queira interferir em questões como aborto”, afirmou o deputado Capitão Augusto (PL-SP), presidente da bancada.

A subprocuradora-geral Luiza Frischeisen e o procurador regional Blal Dalloul também têm mantido contado com políticos dentro e fora do governo. Dalloul foi recebido recentemente pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, um encontro acertado por Vladimir Aras. Antes de ficar de fora da lista tríplice, Aras era o candidato favorito de Moro. Auxiliares do ministro entendem que este pode ser um sinal positivo, embora não signifique necessariamente apoio.

“A única certeza é que não tem nada definido”, diz um político com bom trânsito no Congresso e no STF.

 

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