Últimas Notícias > CAD1 > O papa pediu perdão aos chilenos afetados por escândalo de abusos sexuais

Os carros sem motorista já não existem apenas na ficção científica. Em até dez anos, a sua utilização deverá ser bastante comum

Adoção de veículos autônomos ainda é alvo de desconfiança. (Foto: Reprodução)

Aperte os cintos, o piloto sumiu: tudo indica que muito em breve você poderá pedir um carro para levá-lo a uma reunião de negócios ou à balada e, em alguns minutos, encontrar um automóvel sem motorista esperando à porta de sua casa. Quando chegar ao destino, basta sair do veículo e fechar a porta. Nem um “muito obrigado” será preciso dizer.

Pesquisas apontam que em cinco ou dez anos essa será uma atividade corriqueira. Isso porque o uso de serviços de transporte com veículos autônomos está se tornando uma das mais fortes tendências de mobilidade para quem deseja se deslocar pelas ruas das cidades de forma rápida, segura e econômica, principalmente em rotas curtas e viagens intermunicipais.

Um estudo recente da UITP (Associação Internacional de Transporte Público, na sigla em francês) mostra que o caminho para a adoção de veículos autodirigíveis é um dos mais certos no cenário da mobilidade urbana. Intitulado “Veículos Autônomos: Um Potencial Divisor de Águas Para a Mobilidade Urbana”), o relatório aponta os desafios para tornar os carros autônomos uma opção que mude para melhor o trânsito das metrópoles.

O primeiro ponto é garantir que esses novos veículos sejam compartilhados e que as pessoas estejam prontas para a ideia de usar esse modelo de transporte e alternar diferentes meios de locomoção para de fato reduzir os congestionamentos que atravancam as grandes cidades.

Como é comum na chegada de todo grande avanço tecnológico, as transformações também trazem a reboque mudanças no comportamento das pessoas e, em certas situações, algumas dúvidas. No caso dos veículos autônomos, a questão hoje é saber se as pessoas teriam alguma resistência em viajar em carros sem alguém ao volante.

Essa desconfiança se transformou em susto real quando, em março último, um carro autônomo atropelou e matou uma ciclista na cidade de Tempe, Arizona, nos Estados Unidos. Mesmo assim, estudos mostram que o receio está diminuindo aos poucos, conforme a tecnologia vai sendo mais conhecida.

Uma pesquisa realizada pela consultoria Deloitte com 22 mil consumidores de 17 países no início deste ano mostra que 41% das pessoas não confiam nesses veículos. Em 2017, esse índice atingia 67% das pessoas entrevistadas. “A redução da desconfiança é resultado do maior acesso a informações sobre o progresso no desenvolvimento dos carros autônomos”, comenta Carlos Ayub, da Deloitte. Nesse ritmo, é possível afirmar que as resistências serão ainda menores com o tempo.

Outro ponto importante será incentivar entre as pessoas o compartilhamento de viagens – tema, aliás, que também se destaca no relatório da UITP. Segundo a entidade, a partir de agora, todas as formas de compartilhamento precisam ser promovidas e estimuladas. Por exemplo, podem-se criar incentivos fiscais para viagens compartilhadas ou propriedade compartilhada de veículos, áreas compartilha das de veículos e campanhas de conscientização, além de promover projetos-piloto com o objetivo de fazer com que haja mais de um passageiro nos veículos.

O grande nó a ser desatado, porém, está na interligação entre os diferentes modais, integrando frotas de veículos autônomos como parte de um sistema de transporte público diversificado, que inclua ônibus, trens e metrô. Precisam ser tomadas medidas para limitar a ocupação de um carro, bem como iniciativas para evitar ter carros autônomos privados vazios nas estradas.

Mesmo assim, o futuro parece promissor para quem apostar nas tecnologias envolvidas nesse mercado. Pesquisa da consultoria AT Kearney estima que o segmento de equipamentos especiais – como controles de bordo, sistemas de guias e de comunicação – deve alcançar 103 bilhões de dólares anuais em 2030. Aplicativos móveis que facilitam a interação entre veículos e auxiliam na comunicação com outros integrantes dessa cadeia – como prestadores de serviços de mobilidade – devem gerar outros 86 bilhões de dólares.

Poluição

O avanço desse mercado promete trazer também impactos urbanísticos positivos, reduzindo congestionamentos, liberando espaços dedicados a estacionamento e diminuindo a poluição. Um estudo feito pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e pela Universidade Cornell, divulgado em 2017, desenvolveu um sistema baseado em veículos autônomos para compartilhamento de viagens que, a partir de um algoritmo, conecta pessoas que desejam fazer deslocamentos urbanos semelhantes.

Esse modelo leva em conta algumas premissas básicas importantes, como a capacidade e a rota dos veículos. O objetivo é fazer com que cada carro transporte o maior número de passageiros possível a partir de um trajeto que permita às pessoas chegarem a seus destinos no menor tempo, eliminando um bom número de automóveis das ruas da cidade.

Deixe seu comentário: