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Os ‘coletes amarelos’ fecharam a fronteira entre a França e a Itália

Motoristas ficaram presos no bloqueio por horas. (Foto: Reprodução)

Manifestantes do movimento dos “coletes amarelos”, que protestaram neste sábado contra as políticas econômicas do presidente da França, Emmanuel Macron, bloquearam a fronteira francesa com a Itália na cidade de Ventimiglia.

O lado italiano registrou um congestionamento de inúmeros quilômetros, uma vez que nenhum carro conseguia cruzar a divisa.

A manifestação reuniu cerca de centenas de “coletes amarelos”, que chegaram à fronteira em motos e scooters. O movimento é simbolizado pelo colete fluorescente que é item de segurança obrigatório para todos os motoristas na França e questiona as políticas de Macron, sobretudo para combustíveis.

Um mil presos

O ministro francês do Interior, Christophe Castaner, divulgou na noite deste sábado um balanço dos protestos dos “coletes amarelos”. Cerca de 125 mil pessoas saíram às ruas em todo o país e ao menos mil pessoas foram presas durante os confrontos com a polícia. Mais de 100 pessoas ficaram feridas.

Após mais um dia de protestos marcados por carros incendiados, bombas de gás lacrimogêneo lançadas contra manifestantes, vitrines do comércio quebradas e lojas saqueadas, o governo francês tentou tranquilizar a população. O ministro do Interior anunciou que 118 pessoas ficaram feridas e lembrou que no fim de semana passada esse número foi de 201 pessoas. Castaner também apontou que neste sábado, 17 policiais ficaram feridos, enquanto na semana anterior 284 foram atingidos.

Esse balanço provisório se deve em parte ao número importante de representantes das forças de ordem presentes nas ruas das cidades francesas. Dos cerca de 90 mil mobilizados em todo o país, 8 mil estavam apenas na capital, onde cerca de 10 mil pessoas manifestaram durante o dia.

Até as 20h pelo horário de Paris (17h em Brasília), 1.385 pessoas haviam sido interrogadas pela polícia na França (920 apenas em Paris) e 974 foram colocadas em prisão preventiva.

Os “coletes amarelos” protestaram em outras partes do país, e alguns atos fora da capital também foram marcados pela violência. Confrontos entre manifestantes e policiais explodiram em várias cidades do sul da França, inclusive Bordeaux e Marselha.

Uma marcha que reuniu pacificamente milhares de pessoas nas ruas de Bordeaux terminou em confusão no final do trajeto, na praça da prefeitura local, onde manifestantes lançaram coquetéis molotov. Alvo de ataques nas últimas jornadas de protesto, o pátio de acesso à prefeitura estava protegido por veículos da polícia.

Em La Canebière, avenida mais famosa de Marselha, a polícia entrou em confronto com centenas de manifestantes, na maioria encapuzados, no começo da noite, após uma marcha pacífica da qual 2 mil pessoas participaram. Como em Paris, um veículo blindado entrou em ação para apoiar as forças de ordem.

Em Toulouse (sudoeste) a tensão também era palpável. A polícia tentava manter milhares de manifestantes fora do centro da cidade. A multidão lançou pedras e garrafas nas lojas, que haviam fechado as portas mais cedo. Os policiais responderam com bombas de gás. Segundo as autoridades, cerca de 2.000 pessoas foram às ruas em Toulouse, na tarde de sábado.

O movimento popular começou em meados de novembro na França em protesto contra a alta do preço dos combustíveis. Mas logo a mobilização ganhou força e se transformou em um protesto generalizado contra a queda do poder aquisitivo e contra as medidas econômicas impopulares do presidente francês Emmanuel Macron.

Com a popularidade em queda e em meio à pior crise de sua presidência, o chefe de Estado se mantém em silêncio desde o início do conflito. Ele prometeu falar com a imprensa na semana que vem.

 

 

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