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Os Estados Unidos acusa o governo de Cuba pela perda de audição de diplomatas norte-americanos naquele país

A fachada da embaixada norte-americana em Havana, em Cuba. (Foto: Reprodução)

Diplomatas norte-americanos e canadenses em Cuba, bem como suas famílias, estão no centro de um mistério e de um incidente internacional.

Segundo Washington e Ottawa, os representantes receberam tratamento médico por causa de sintomas como perda de audição e mal-estar. Autoridades norte-americanas acreditam que eles foram vítimas de um “ataque sônico”.

A agência de notícias Associated Press relatou que, no final do ano passado, um grupo de cinco diplomatas lotados em Havana apresentou a perda súbita de audição. Diversos deles eram recém-chegados à representação diplomática, reaberta em 2015 como parte do processo de reaproximação com Cuba proposto pelo então presidente norte-americano Barack Obama.

Alguns dos diplomatas tiveram sintomas tão severos que precisaram deixar seus postos. Depois de meses de investigações, autoridades norte-americanas concluíram que eles tinham sido expostos à ação de um dispositivo ultrassônico (que opera em frequências superiores às captadas pelo ouvido humano) instalado no interior ou exterior de suas residências.

Para o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, a missão dos EUA em Havana não foi capaz de determinar quem estava por trás do que ele chamou de “ataques contra a saúde”. “Responsabilizamos os cubanos, que, como todo país anfitrião, são responsáveis pela segurança de diplomatas em seu país.”

Segundo as fontes ouvidas pela AP, não estava claro se o dispositivo era uma arma. Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano disse que o governo retaliou com a expulsão de dois diplomatas cubanos em maio.

A decisão foi criticada por Havana e classificada como “sem justificativa e sem base” em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores. No texto, as autoridades cubanas disseram ter sido informadas dos incidentes em fevereiro deste ano e aberto um “rigorosa e urgente investigação”.

“Cuba jamais permitiu ou vai permitir que seu território seja usado para qualquer ação contra diplomatas e suas famílias, sem exceções.”

O ministério informou ainda ter reforçado a segurança ao redor da Embaixada dos EUA em Havana, bem como as residências de diplomatas. Fontes da investigação norte-americana ouvidas pelas AP disseram ainda que estão investigando a possibilidade de um outro país estar por trás do ataque, operando à revelia do regime cubano.

Já o Canadá anunciou que está investigando “pelo menos um caso” de diplomata tratado por perda auditiva e dores de cabeça. “Estamos a par de sintomas incomuns afetando diplomatas canadenses e americanos e suas famílias em Havana”, disse à BBC um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Canadá.

Se confirmado, o uso de armas sônicas contra diplomatas seria algo sem precedentes. (O Globo)

 

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